MÚSICA

Indiana Nomma e Márcia Tauil lançam CDs com poderosos parceiros

Tico Moraes e Félix Júnior são os instrumentistas destacados, nas obras que trazem jazz, MPB e bossa

»Irlam Rocha Lima
postado em 11/06/2021 06:00
Indiana Nomma:
Indiana Nomma: "O disco surgiu com muita leveza e fluidez" - (crédito: Marcelo Castello Branco/Divulgação)

Indiana Nomma, radicada no Rio de Janeiro desde a década passada, mantém laços afetivos e artísticos com Brasília, onde iniciou a carreira musical como vocalista da banda BSB Disco Clube. Até 2019, voltava ela com alguma frequência à cidade para apresentações, no extinto Feitiço Mineiro, onde costumava fazer shows interpretando jazz e blues e em tributo a Mercedes Sosa, além de ter lançado os álbuns Unexpexted, que concorreu ao Prêmio da Música Brasileira (na categoria disco em língua estrangeira) e Lessons in love.

A cantora, agora, acentua esse vínculo com a capital ao desenvolver projeto tendo como parceiro o cantor, compositor e instrumentista brasiliense Tico Moraes. O trabalho desenvolvido durante o período da pandemia desaguou em CD, que reúne nove faixas, todas trazem letra em inglês, gravadas em casa, vencendo o desafio da distância de 1.160 quilômetros, entre Rio e Brasília.

O álbum, intitulado Indiana & Tico, à disposição nas plataformas digitais, na concepção e arranjos, tem como referência o jazz norte-americano do período áureo dos anos 1920 a 1950. “Fazemos homenagem despretensiosa a Ella & Louis, disco clássico de Ella Fitzgerald e Louis Armstrong”, destaca Nomma, que, como intérprete, há algum tempo transita com familiaridade por esse universo musical.

Nesse novo trabalho, ela é coautora de Old garden street (o primeiro single), I’d care to dance, What’s wrong with me? e It’s not the end. “O disco surgiu com tanta leveza e fluidez, que nem mesmo o contexto histórico no qual ele nasceu é capaz de afetá-lo”, ressalta a cantora. “Música cura e, na pandemia, a parceria e a inspiração foram o melhor remédio”, acrescenta, ao falar sobre o casamento das vozes de ambos e a guitarra melodiosa de Tico. Eles tiveram como convidados nas gravações o pianista letão Alexander Raichenok e o baterista pernambucano Misael Barros.

Presença frequente nos palcos brasilienses, Tico Moraes passeia com naturalidade pela MPB e pelo pop, embora o jazz seja a faceta mais destacada de sua música, que se caracteriza por arranjos originais, a valorização da harmonia, melodia e letras bem elaboradas e o canto cool. Ele lançou vários singles, EPs e discos, disponíveis nas plataformas digitais, que atingiram mais de um milhão streams no Spotify.

Sozinho, Tico compôs para o álbum que divide com Indiana Nomma as canções I noob loke me, Night will be ours, Do the math, Just let it e Whats with my rhyme?. Sobre a parceria, ele faz comentário enfático: “Nosso trabalho é resultado de uma dedicação colaborativa à música, à composição e ao valor que a arte deixa impressa na vida das pessoas, principalmente em tempos como o que estamos vivendo no momento”.

Com suingue da Bossa Nova

 (crédito: Fred Brasiliense/Divulgação)
crédito: Fred Brasiliense/Divulgação

Cantora mineira, com presença na cena musical brasiliense desde 2010, Márcia Tauil tem como principal influência nos trabalhos que realiza, um dos pilares da Bossa Nova, o compositor, arranjador, produtor e violonista Roberto Menescal. Embora tenha descoberto a obra do artista capixaba bem depois de o movimento ter surgido. Em 1999, ela lançou o CD Pro Menesca, que teve a participação do ídolo.

Tempos depois, dividiu o palco do Clube da Bossa de Brasília com Menescal algumas vezes. O artista capixaba volta a ser objeto de reverência de Márcia. Lançamento do selo Mins Música, acaba de chegar às plataformas digitais o álbum Pro Menesca — volume 2, gravado com o violonista Félix Júnior. Eles têm como convidada nesse projeto a cantora Sabrina Parlatore.

O álbum, que tem como proposta a valorização da história da MPB, traz oito faixas. Entre elas estão os clássicos O barquinho, Rio e Vagamente, compostas por Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli; Bye Bye Brasil, rara parceria de Menescal e Chico Buarque; além das menos conhecidas Amanhecendo, Japa e Longa metragem Estrada Delhi Rio. Esta última, a cantora já havia gravado no disco anterior.

Márcia conta que a música de Roberto Menescal entrou em sua vida quando nos anos 1980 ouviu os LPs Aquarelas, de Emílio Santiago; e o que Leila Pinheiro canta a Bossa Nova, lançados pela PolyGram, gravadora que tinha o compositor como diretor artístico. “Ambos os discos foram produzidos por Menescal, autor também de algumas músicas e dos arranjos. Eu era criança e cantava aquelas canções, acompanhada pelo meu irmão mais velho”, lembra.

Félix Júnior, um dos instrumentistas mais requisitados da cena musical brasiliense, ganha elogios de Márcia Tauil, com quem divide o CD. “Impressiona o virtuosismo de Félix em todo o álbum, fazendo acompanhamento com seu violão 7 cordas; e, especialmente, em Bye Bye Brasil, para a qual criou arranjo solar e aconchegante, que trouxe ares de novidade para a canção, tema de abertura do filme homônimo”.

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