LANÇAMENTOS

Lázaro Ramos lança dois livos para o público infantil

O ator Lázaro Ramos lança 'O pulo do coelho', livro infantil inédito, e reedita sua primeira publicação, 'Edith e a velha sentada'. A pandemia, para ele, tem estimulado a escrita

Nahima Maciel
postado em 14/06/2021 06:00 / atualizado em 14/06/2021 10:12
O ator e escritor Lázaro Ramos -  (crédito: Júlia Rodrigues/Divulgação)
O ator e escritor Lázaro Ramos - (crédito: Júlia Rodrigues/Divulgação)

Edith é uma menina muito introvertida. Cheia de criatividade, mas voltada para o mundo interior. Olhando assim, até dá para fazer uma aproximação entre Edith e os tempos pandêmicos, quando todos precisaram se recolher e olhar mais para dentro de si. Mas a personagem do livro Edith e a velha sentada, escrito por Lázaro Ramos, foi criado em 2010, bem antes da pandemia, e agora ganha nova edição. A personagem está de volta às prateleiras na companhia de O pulo do coelho, este sim, inédito e quinto livro infantil do ator e escritor.

Ao mesmo tempo em que revisita seu primeiro livro com a aventura da pequena Edith, Lázaro traz a história de um menino de 11 anos que sonha ser um coelho de cartola com aspirações a um papel maior do que o de acessório de mágico. Autonomia, superação das frustrações e liberdade são os temas pelos quais o autor navega ao desenvolver a história.

“Se quiser fazer uma associação com o momento que estamos vivendo, esse livro fala sobre autonomia e liberdade, mas também sobre a relação das famílias na pandemia”, explica Lázaro. “Com todo mundo em casa, os pais pediram mais participação dos filhos nas atividades, como escovar dente sozinho, arrumar cama, tirar prato da mesa e cuidado com limpeza. O pulo do coelho é uma saga em busca da liberdade e da autonomia. Quando o coelho adquire liberdade e cria confiança, ele não sabe lidar com a liberdade.”

A ousadia do coelho está anos à frente da menina Edith, um espelho do que foi a infância do próprio autor. “Ela tem muito da criança que fui. Eu tinha muita criatividade, mas não tinha coragem, era tímido para compartilhar com as pessoas, não sabia exatamente o quanto tinha, então eu me recolhia. Edith se recolhe e fica ali na sua cabeça vivendo outros mundos. Eu fui muito isso, fui essa criança”, conta.

Escrever tem sido uma salvação quase diária no cotidiano de Lázaro Ramos. Ele garante que faz isso sem nenhuma organização e que, no caso dos livros infantis, aprende muito com os filhos. A escrita é caótica, pode vir em um pedaço de papel ou guardanapo, em uma mensagem de WhatsApp para a mulher, Thaís Araújo, em uma agenda eletrônica. “Só escrevo e, depois que está pronto, entendo para que é. Como não tenho obrigação de lançar um livro por ano, tudo vem muito com liberdade e aceito esse processo”, revela. “O que mais tenho feito é escrever, desde o ano passado entrei nisso e não parei, todo dia escrevo um pouco, sem obrigação de resultado. É um momento em que não me sinto cobrado de algo, tem um lugar muito de liberdade.”

Conversas

No caso dos livros infantis, os temas nascem intuitivamente, mas sempre ancorados em uma vontade de falar de coisas sobre as quais não conversou com ninguém durante a infância. Humor, ludicidade, emoção e autoestima são pontos centrais da escrita de Lázaro para crianças. “São assuntos que, na minha infância, não passavam perto de mim. É muito legal descobrir como conversar com as crianças sobre esses assuntos e na linguagem adequada para elas. Porque, muitas vezes, a gente vai aprender a pensar sobre e conversar sobre isso mais velho”, diz. E, nessa seara, a convivência e as conversas com os filhos João Vicente e Maria Antônia são inspiração o tempo todo. “Todos os meus livros têm algo deles que me ensinou alguma coisa, jeito de falar, linguagem a ser usada”, garante o autor.

Conversas, aliás, têm pautado a rotina de Lázaro Ramos durante a pandemia. Ele sabe que não será possível voltar ao palco ou aos sets de filmagem de maneira mais constante e segura tão cedo. Além de estar gravando uma pequena participação na série Aruanas, o ator tem se dedicado a outras atividades. “Estou entendendo que o momento não é ficar na ansiedade de exercer meu trabalho do jeito que gosto. Tou entendendo que minha função no mundo não será artística apenas”, explica. Por isso, ele tem mergulhado com muita dedicação em séries de bate papos on-line com estudantes e lives com empreendedores autônomos. “Ter uma atividade como essa nas escolas, que estão tendo aula on-line, acaba ajudando. Estou muito feliz de poder fazer isso. Tem muita gente precisando de auxílio e estou entendendo que a função, no momento, é essa”, avisa. “Importante é isso: ter uma voz e fazer uso dela.”

Edith e a velha sentada

De Lázaro Ramos. Pallas, 64 páginas. R$ 49

O pulo do coelho

De Lázaro Ramos. Carochinha, 48 páginas.
R$ 39,90

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