Artes Visuais

Exposição traz acervo de gravuras da Referência Galeria de Arte

Acervo com gravuras de nomes como Tomie Ohtake, Eduardo Sued, Arcangelo Ianelli, Alfredo Volpi e Siron Franco ganha exposição na Referência

Nahima Maciel
postado em 16/09/2021 12:00
Gravura de Manabu Mabe é uma das obras da mostra (de)morar -  (crédito: Reprodução )
Gravura de Manabu Mabe é uma das obras da mostra (de)morar - (crédito: Reprodução )

Com a intenção de refletir um pouco sobre o lugar da abstração na arte da gravura, a exposição (de)morar será inaugurada nesta quinta-feira (16/9), na Referência Galeria de Arte, com um conjunto de gravuras pinçadas do acervo da própria galeria. O curador Vinicius Brito selecionou obras produzidas entre os anos 1980 e 2010, todas com linguagem abstrata, uma escolha proposital que nasce da vontade de levar o público a estabelecer um diálogo com produções nas quais não há narrativas explícitas.

Vinicius colocou lado a lado obras de Alfredo Volpi, Arcangelo Ianelli, Arthur Piza, Carlos Vergara, Eduardo Sued, Elyeser Szturm, Helena Lopes, Leda Catunda, Lêda Watson, Luiz Dolino, Manabu Mabe, Roberto Burle Marx, Rubem Valentim, Siron Franco e Tomie Ohtake. “Há muito queríamos trabalhar com o acervo de gravura da galeria, que é enorme, mas com o qual a gente não fazia muitas mostras”, explica o curador, que trabalha na Referência há três anos e estreia na curadoria com (de)morar. “Percebi que tínhamos um acervo de gravuras que diz muito sobre um Brasil que chega à contemporaneidade a partir de uma conversa direta com o construtivismo, uma arte que nasce com contexto diferenciado por causa do apoio das instituições”, explica.

A falta de uma narrativa nas obras abstratas foi um estímulo para que o curador fizesse um recorte capaz de provocar o leitor a partir de reflexões mais filosóficas e psicológicas e menos temáticas. “O abstrato não tem uma narrativa, ele não quer dizer, ele existe a priori, mas você pode significá-lo a posteriori”, avisa Vinicius, que também tem no nome da mostra uma sugestão para os visitantes. “Demorar vem de um livro do filósofo (Jacques) Derrida em que fala justamente sobre essa demora no processo de leitura em que não há uma significação. Demorar vem tanto de morar, porque a galeria é uma morada temporária para aquelas obras, quanto da ideia de que a arte contemporânea é sempre um convite a demorar, a se inscrever nesse processo de leitura e ali conseguir, de certa forma, dialogar com a obra”.

 

(de)morar
Mostra coletiva de gravuras. Curadoria: Vinícius Brito. Visitação até 6 de novembro, de segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábado, das 10h às 15h, na Referência Galeria de Arte (CLN 202 Bloco B Loja 11 – Subsolo)

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  • (de)morar | Mostra de gravuras | Referência Galeria de Arte - gravura de Tomie Ohtake
    (de)morar | Mostra de gravuras | Referência Galeria de Arte - gravura de Tomie Ohtake Foto: reprodução
  • (de)morar | Mostra de gravuras | Referência Galeria de Arte - gravura de Rubem Valentim
    (de)morar | Mostra de gravuras | Referência Galeria de Arte - gravura de Rubem Valentim Foto: reprodução
  • (de)morar | Mostra de gravuras | Referência Galeria de Arte - gravura de Carlos Vergara
    (de)morar | Mostra de gravuras | Referência Galeria de Arte - gravura de Carlos Vergara Foto: IGO ESTRELA
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