REPERCUSSÃO

Famosos repercutem proibição de política no Lolla: ‘censura’

Cantores e artistas repudiariam a decisão do ministro do TSE Raul Araújo e classificaram como 'censura' a determinação

Talita de Souza
postado em 27/03/2022 16:39 / atualizado em 27/03/2022 17:00
 (crédito: Material de divulgação)
(crédito: Material de divulgação)

A proibição de manifestações políticas no festival Lollapalooza causou revolta no meio artístico. Cantores e artistas se pronunciaram ao longo deste domingo (27/3) contra a decisão do ministro Raul Araújo, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que atendeu a um pedido do Partido Liberal (PL) e definiu multa de R$ 50 mil para quem infringir a determinação. Entre os famosos, o consenso é de que há uma ‘censura’ em curso.

A cantora mais ouvida do mundo, Anitta, disse que “não existe isso de proibir um artista de expressar publicamente a infelicidade dele perante o governo atual”. “Isso é censura, isso é 1900 e bolinha, onde o povo não podia fazer nada. A gente não quer voltar a estaca zero, não, pelo amor de Deus”, disse a dona do hit Envolver.

Anitta também declarou que vai “lutar contra todas as armas” dela e se comprometeu a cobrir as multas dos amigos que quiserem se manifestar contra Bolsonaro (PL). “Ah vai botar multa de não sei quantos, então a gente paga querido. Diz aí amigos que quiserem se manifestar, eu pago a multa de vocês”, finalizou.

No Twitter, a cantora também debochou do valor da multa e pediu a queda de Bolsonaro. “50 mil? Poxa…. menos uma bolsa. FORA BOLSONAROOOOOOOO. Essa lei vale fora do país? Pq meus festivais são só internacionais”, declarou, irônica.

O apresentador Luciano Huck também criticou a decisão. Ele relacionou a determinação com o Ato Institucional 5 (AI-5), de dezembro de 1968, considerado um dos mais duros da ditadura e que, além de fechar o Congresso Nacional e vetar as instituições democráticas, proibiu centenas de filmes, peças, livros e canções. Em resumo, toda e qualquer manifestação política contrária ao regime da época, do general Arthur da Costa e Silva.

“Num festival de música, quem decide se vaia ou aplaude a opinião de um artista no palco é a plateia e não o TSE. Ou ligaram a máquina do tempo, resgataram o AI-5 e nos levaram a 1968?”, criticou Huck.

A cantora Daniela Mercury compartilhou o trecho do show de Pabllo Vittar, em que a artista mostra uma bandeira com o rosto do ex-presidente Lula, e questionou se a Constituição não proíbe a censura. O ato de Pabllo Vittar no show no Lolla, nesta sexta (25/3), foi o que provocou a ação do Partido Liberal (PL) contra futuras manifestações.

“A Constituição não assegura liberdade de expressão ao eleitor? A democracia é incompatível com censura prévia ao eleitor”, disse.

 
 
 
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A atriz Paula Lavigne começou um movimento nas redes sociais chamado 'Cala a boca já morreu’, já usado em outras situações de repressão contra artistas, contra a determinação. Uma imagem com a frase e a hashtag #LollaLivre foi compartilhada. “Contra a censura, pela liberdade de expressão”, diz a arte compartilhada por vários atores e famosos.


A banda emo Fresno, que se apresentou no Lolla na tarde deste domingo (27/3), iniciou o show com a infração da determinação do ministro do TSE. No telão, a frase 'Fora Bolsonaro' foi projetada, ao mesmo tempo em que a declaração foi repetida pelo vocalista Lucas Silveira. Em seguida, a banda entoou um trecho do hit Fudeu. "E o presidente, basicamente, quer te exterminar. E o ideal fascista já conquistou teu núcleo familiar. Fudeu!", diz o trecho. Veja: 

Ministro tomou decisões pró-Bolsonaro

Na última quarta-feira, Raul Araújo rejeitou pedido do PT para retirada de outdoors favoráveis a Bolsonaro espalhados por Rio de Janeiro, Bahia, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina

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