Show

Fado moderno

Vicente Nunes Correspondente
postado em 06/08/2022 00:01
 (crédito: Gonçalo F. Santos/Divulgação)
(crédito: Gonçalo F. Santos/Divulgação)

Lisboa — António Zambujo, uma das vozes mais expressivas de Portugal na atualidade, apresenta show em Brasília, somente amanhã, às 19h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. Ele fecha turnê brasileira, iniciada no Rio de Janeiro, em 28 de julho. O repertório, que passa pelo fado e pelas canções tradicionais de sua terra, o Alentejo, está permeado pela influência da música brasileira, mais precisamente do que ele classifica como a Santíssima Trindade: João Gilberto, Vinícius de Moraes e Tom Jobim.

Aos 46 anos — completará 47 em setembro —, Zambujo conta que a sua formação musical se deu por camadas. "As minhas influências apareceram aos poucos. Nasci numa região do Sul de Portugal (Beja), que é muito musical. Desde criança, temos contato com a música tradicional. Foi uma base muito importante", diz. Mais tarde, uma irmã do pai dele lhe mostrou outros caminhos. "Ela era a única pessoa da família que gostava de cantar, era fadista, tinha uma voz muito bonita, e me apresentou uma coleção de discos e de livros de poesia", acrescenta.

Ainda muito jovem, nos anos de 1980, deparou-se com um preconceito disseminado contra o fado, ritmo que, na visão de muitos portugueses, tinha forte ligação com a ditadura militar que comandou o país por décadas, sendo limada em 1974, na chamada Revolução dos Cravos. "Mas não deixei de ouvir, de aprender as letras e de cantar", ressalta. Foi, no entanto, quando ouviu um disco de João Gilberto que a vida dele mudou completamente.

"A música brasileira entrou na minha vida por causa do João Gilberto, que acabou por ser tudo na música brasileira. Enquanto intérprete, cantava todos os poetas, compositores. A partir daí, conheci a Santíssima Trindade, João, Vinícius e Tom. Depois, me apaixonei muito por uma compositora, Dolores Duran. Mais tarde, Chico Buarque, Caetano Velloso", diz. "Quando temos uma paixão, ficamos obcecados. Então, não cansava de ouvir, e continuo sem descansar, pois sempre que aparece alguma coisa nova e tenho acesso, continuo acompanhando."

Zambujo garante que a música brasileira, que ganhou o mundo sobretudo por meio da Bossa Nova, da qual ele é um fervoroso apaixonado, continua influenciando mundo afora. "Não conheço tudo que se produz no Brasil, mas o país continua relevante musicalmente", assinala. Das safras mais recentes, ele diz que gosta muito de Rodrigo Amarante e Marcelo Camelo, do Los Hermanos, Tim Bernardes, Cícero e Clarice Falcão.

No entender dele, muito da aceitação de sua obra no país tem a ver com o que absorveu de música brasileira. Ele lembra que, no primeiro show que fez no Brasil, mais especificamente no Rio de Janeiro, estavam na plateia Chico, Ney Matogrosso, Caetano, Milton Nascimento. "Foi muito louco", frisa, emendando: "A aceitação do meu trabalho no Brasil, penso, é porque tenho muito da música brasileira no meu sangue".

Show de Antonio Zambujo

Amanhã, às 19h, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. ngressos à venda na Bilheteria Digital. Preços: de R$ 120 a R$ 180.

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