Música

Biografia de André Diniz lança novo olhar sobre Pixinguinha

Biografia escrita por André Diniz revisita a vida e a obra de Pixinguinha, com uma discografia comentada

Irlam Rocha Lima
postado em 19/12/2022 06:00 / atualizado em 19/12/2022 06:56
 (crédito:  Numa Editora/Divulgação)
(crédito: Numa Editora/Divulgação)

Flautista, saxofonista, compositor, arranjador e maestro. São múltiplas as facetas de Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, gênio da música popular brasileira, uma das mais importantes expressões da cultura do país, que, na segunda metade dos anos 1930, ele contribuiu decisivamente para consolidar. Tudo isso e muito mais está registrado em livro escrito por André Diniz, que acaba de chegar às lojas.

Intitulada Pixinguinha, um perfil biográfico, a obra, integrante da coleção Culturas Cariocas, contou com o professor Luiz Antônio Simas na organização, e tem como proposta trazer à luz temas e personalidades marcantes do Rio de Janeiro, reafirmando sua relevância no cenário brasileiro. "Pixinguinha é o maior nome da música brasileira na primeira metade do século 20", comenta André. "Além de consolidar o choro como gênero, embora católico, soube incorporar em seus arranjos os batuques e as macumbas das ruas", destaca Diniz,doutor em Geografia Cultural pela Universidade Federal Fluminense, professor de pós-graduação da Uni-Carioca.

Com  fotos do autor do clássico Carinhoso e de seus companheiros instrumentistas, Pixinguinha, um perfil biográfico traz ainda uma discografia comentada pelo maestro e cavaquinista Henrique Cazes, a partir de discos disponíveis nas plataformas digitais. A capa do livro tem a assinatura do artista gráfico Mello Menezes. "Passei muitos anos relutando em aceitar a realidade da música gravada ser ouvida por meio das plataformas digitais, com toda a carga de retrocesso de qualidade em relação ao som do CD. Resolvi em 2020 entrar nesse mundo e assinar serviços de plataformas. Foi a partir dessa experiência que escrevi para a quinta edição do meu livro Choro do quintal ao Municipal, uma discografia comentada do choro", conta Cazes.

O músico carioca acrescenta: "Daí decorreu o convite do amigo pesquisador André Diniz para fazer o mesmo focando em Pixinguinha, para o seu livro. Além de re-escutar álbuns que não ouvia há tempos, o mergulho na discografia do Mestre do Choro ajuda a lançar uma luz sobre trabalhos pouco comentados mas de ótima qualidade, como a Série Pixinguinha. Dividi a discografia em Originais, ou seja, álbuns que o próprio Pixinguinha gravou; Tributos & Recriações e Encontros com Pixinguinha, tópico que traz surpresas de álbuns divididos com outros gênios como Bach e Duke Ellington".

Segundo ele, a discografia apresentada é datada de janeiro de 2021. "Espero que, daqui a algum tempo, tenhamos que fazer uma atualização, por exemplo, incluindo os quatro álbuns de inéditas que estou produzindo, juntamente com o Marcelo Vianna (filho de Pixinguinha), e que começam a ser lançados em fevereiro de 2023. Nos 50 anos da morte do Pixinguinha (17 de fevereiro de 2023), vamos lançar 50 músicas inéditas e espetaculares", anuncia.

 

 

Entrevista/ André Diniz

 

O que o levou a escrever Pixinguinha, um perfil biográfico?

Eu já havia escrito dois livros sobre o Pixinguinha: um infantojuvenil, da Editora Moderna, com Juliana Lins, e uma fotobiografia da Editora Casa da Palavra, que está esgotado. Entretanto, nós percebemos que não havia no mercado um perfil do Pixinguinha para ser consumido rapidamente sobre suas histórias de vida. Acho que esse livro da Numa Editora supre essa carência no mercado!

 

Quanto tempo levou até chegar ao texto final?

Como eu já tinha muito material sobre o músico, o novo livro foi escrito em sete meses.

 

Qual foi a parte mais trabalhosa nesse processo?

A parte mais trabalhosa de uma biografia é sempre tentar escrever à altura do biografado! Espero ter contribuído para as pessoas conhecerem esse músico mental em nossa história.

 

Que fontes de pesquisa utilizou?

As fontes utilizadas foram jornais, revistas, entrevistas e livros lançados sobre o compositor.

 

Na feitura do livro, houve contribuição do mestre Luiz Antonio Simas?

O Simas é sempre uma fonte inesgotável de conhecimento. É meu parceiro na coordenação da coleção Culturas Cariocas, que tem no mercado livros sobre Luiz Carlos da Vila e agora o Pixinguinha. O próximo será o Noel Rosa, também escrito por mim.

 

Além de aumentar seu conhecimento sobre o personagem, durante a pesquisa houve fatos sobre os quais não tinha conhecimento?

No processo de pesquisa e escrita, a gente sempre se surpreende com alguma coisa que deixou passar em branco ou mesmo corrige informações que não foram publicadas corretamente. Nesse novo texto sobre o maestro, destaquei muito sua herança musical étnica no centro do Rio de Janeiro da primeira metade do século 20.

  

Das várias facetas do mestre do choro qual a que desperta mais sua admiração?

Pixinguinha é um músico completo: compositor, instrumentista e arranjador!

 

Você o vê como um artista carioca ou sua importância transcende o aspecto geográfico?

Ele mergulhou tão profundo que ajudou a criar com muita propriedade uma música carioca que, através do rádio, virou referência nacional, como o choro, o samba e a marchinha.

 

Na sua avaliação que representatividade Pixinguinha tem para a música e a cultura brasileiras?

Pixinguinha, através da sua obra, deu a feição da música brasileira no século 20.

 

Entre as várias partes da biografia, no seu entendimento, qual vai despertar mais interesse do leitor?

Eu espero que o leitor goste do livro todo! (risadas).

 

Partiu de você o convite para o Henrique Cazes comentar a discografia?

Sim, eu convidei o Henrique, ele conhece muito a história do choro e, em particular, o legado de Pixinguinha.

 

Atribui que valor a criação do artista gráfico Mello Menezes para a capa?

O Mello é o artista das capas da coleção, e digo a você uma coisa: todo mundo elogia as capas do Pixinguinha e do Luiz Carlos da Vila da coleção Culturas Cariocas! A capa realmente está muito linda.

 

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  • Pixinguinha: 
católico que 
soube incorporar 
o batuque 
afro-brasileiro 
às composições
    Pixinguinha: católico que soube incorporar o batuque afro-brasileiro às composições Foto: Numa Editora/Divulgação
  •  Capa do livro 'Pixinguinha, um perfil biográfico', de André Diniz.
    Capa do livro 'Pixinguinha, um perfil biográfico', de André Diniz. Foto: Numa Editora/Divulgação
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