Cultura

Espetáculo explora a mente humana

Com enredo delicado e sensível, a peça chega ao entorno do Distrito Federal durante fevereiro e março

Por Ana Carolina Alves*

Entre fevereiro e março de 2025, o entorno do Distrito Federal será o palco do espetáculo Jung Laing - Eu prisioneiro de mim, da Cia Cara de Palco, que vai circular por Luziânia, Formosa e Alto Paraíso de Goiás, levando temas das profundidades da mente humana.

Com texto e direção de Marcio Rodrigues, a peça narra a história de Jung Laing. O protagonista é um Espectro do Transtorno de Personalidade Múltipla, que “nasce” a partir de um aborto, decorrido da violência doméstica sofrida por sua mãe, que passa a cria-lo dentro de sua mente, alimentando-o com ódio e, algumas vezes, “incorporando-o”, permitindo que ele realizasse os seus desejos. A partir dessa experiência, que narra a infância e adolescência de Jung Laing, a mãe desenvolve esquizofrenia, ouve e conversa com vozes, que levam ela a um lampejo de consciência, de que ela e JL são a mesma pessoa.

O texto surgiu a partir de um episódio ocorrido na casa de amigos do autor, onde a mãe, que tem um filho com o Transtorno do Espectro Autista – TEA e um quadro evolutivo para a esquizofrenia, ao deitar-se, tem o cuidado de recolher todos os objetos pontiagudos que pudessem se transformar em uma arma letal. A partir desse real episódio, foi criado um lugar fictício chamado Povoado, onde a tradição masculina é levada ao pé da letra, onde a mulher, para fazer qualquer coisa que seja, tem que ter a permissão do marido, inclusive para engravidar.

Em entrevista ao Correio, o diretor Marcio Rodrigues conta sobre a escolha do tema sensível e delicado sobre a violência doméstica da peça “é uma temática que é necessário que a gente proponha um debate, a gente não apresenta a solução [durante a peça], até porque acreditamos que é preciso debater, discutir, para achar soluções mais adequadas, ou melhorar as que já existem [...]”, além disso, o espetáculo visa “passar um ato de coragem na luta contra a violência doméstica”, principalmente durante a roda de conversa sobre o tema que se forma após o espetáculo.

A Trupe de Sexagenários, equipe da peça, é composta por artistas com ampla experiência de vida e trajetória profissional. Entre eles, Miltinho Alves, montador de luz e iluminador, com 61 anos; Kiko Nunes, intérprete de Libras, com 65; Sérgio Vianna, iluminador e maquiador, com 73; o diretor Márcio Rodrigues, na casa dos 65; Revacy Moreira, atriz, com 66; e Rute Guimarães, consultora cênica, com 78.

 

*Estagiária sob supervisão de Severino Francisco

 

Serviço:
Luziânia - GO
Espaço Cultural Tríade - 12, 13 e 14 de fevereiro (quarta a sexta) - 20h

Formosa - GO
Teatro do Museu Couro - 13, 14, 15 e 16 de março (quinta a domingo) - 20h

Alto Paraíso de Goiás - GO
Teatro Escola Barca do Coração - 28, 29 e 30 de março (sexta a domingo) - 20h

Entrada gratuita

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