Há trabalhos que se constroem como afirmação. Outros, como processo. Tudo São Fases, novo single de LEOA em parceria com Léo da Bodega, se insere nesse segundo movimento um registro de deslocamento, tanto geográfico quanto simbólico, que encontra no som uma forma de organizar experiências.
A faixa, produzida por DMAX e composta pelos três artistas, têm origem em um período de viagens pela Amazônia, quando LEOA começou a escrever versos atravessados por reflexões sobre pertencimento, autonomia e permanência.
Foi um momento em que pensei muito sobre pertencimento e sobre como seguir com minha arte de forma independente, respeitando meu tempo e minha relação com a natureza, afirma a artista.
Esse material inicial, marcado por um caráter mais íntimo, ganha novas camadas ao ser levado para o estúdio. O encontro com Léo da Bodega e DMAX não apenas consolida a composição, como amplia seu campo de leitura ao inserir a faixa em uma estética que dialoga com ritmos afrodiaspóricos e com a música contemporânea produzida fora dos grandes centros.
Natural de Olinda (PE) e um dos nomes mais representativos da nova cena pernambucana, Léo da Bodega identifica no projeto uma convergência que ultrapassa a música. Existe uma identidade muito clara no que a gente construiu. É algo ensolarado, que mistura ritmos afrodiaspóricos com uma brasilidade muito presente, observa.
A maré com seu movimento contínuo de ida e volta surge como eixo narrativo da canção, funcionando como metáfora para os ciclos da vida e as diferentes perspectivas que os atravessam. Mais do que recurso poético, trata-se de uma estrutura que organiza o sentido da faixa.
Gravado na Praia de Genipabu, no Rio Grande do Norte, o videoclipe amplia essa dimensão ao incorporar o território como parte ativa da narrativa, reforçando a relação entre paisagem, identidade e som.
Tudo São Fases não se apresenta como ruptura ou manifesto. É, antes, um gesto de continuidade daqueles que reconhecem o movimento como condição essencial da experiência.
Confira:
