Artes cênicas

Paixão do Cristo Negro discute a realidade de populações marginalizadas

Espetáculo gratuito será apresentado nesta sexta-feira (3/4), no Cineteatro Verônica Moreno, em Samambaia, a partir das 19h, abordando temas sociais da atualidade

Nesta sexta-feira (3/4), um dos eventos culturais mais tradicionais de Samambaia volta aos palcos da cidade. Realizada desde 1997, a Paixão do Cristo Negro será apresentada no Cineteatro Verônica Moreno, localizado no Complexo Cultural Samambaia. O espaço tem significado especial para o grupo, pois leva o nome de uma das fundadoras e diretora histórica do espetáculo. Esta será a segunda vez que a encenação ocupará o local. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos no site Sympla. Redes sociais do projeto: @paixaodocristonegro 

Para além de uma representação religiosa, a montagem se consolidou como um importante instrumento de valorização da cultura popular, inclusão social e formação cidadã. Ao longo dos anos, o projeto tornou-se uma das maiores manifestações culturais da cidade e, desde 2020, integra oficialmente o calendário cultural do Distrito Federal por meio da Lei nº 6.499/2020. Em 2025, a iniciativa também foi reconhecida como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura.

A encenação se fundamenta nos princípios da educação popular de Paulo Freire, no Teatro do Oprimido de Augusto Boal e nas metodologias teatrais de Eugênio Barba. A proposta é provocar reflexões sobre o sofrimento humano, estabelecendo paralelos com a realidade vivida por populações marginalizadas, especialmente a população negra, historicamente marcada por desigualdades e opressões.

Em Samambaia, a Paixão do Cristo Negro tornou-se um símbolo de memória coletiva e identidade cultural. O espetáculo surgiu junto ao despertar do fazer artístico e acompanhou o crescimento da cidade ao longo das décadas, mantendo um olhar atento às transformações sociais do Brasil. Por quase três décadas, a montagem passou por diferentes espaços da região, acompanhando as transformações urbanas e culturais.

Para a edição de 2026, as atividades tiveram início em janeiro, com oficinas preparatórias gratuitas de teatro, voz, consciência corporal, dança, iluminação e maquiagem. As formações ocorreram no Complexo Cultural Samambaia e reuniram moradores interessados em participar do espetáculo. Em março, o processo se intensificou com os ensaios e a preparação para a apresentação.

Neste ano, o espetáculo propõe reflexões sobre questões sociais urgentes. Além da narrativa da paixão e morte de Jesus, a Paixão do Cristo Negro aborda temas como violência de gênero e racial, direito à terra e o valor da vida. A direção geral é assinada por Letícia Lins, enquanto a direção de núcleo fica a cargo de Tauana Barros e Wandersson Barros. O elenco reúne moradores da comunidade que participaram das oficinas preparatórias, além de artistas do Distrito Federal.

Mais Lidas

Paulo Estana/Divulgação - Paixão do Cristo Negro
Junior Rosa/Divulgação - Paixão do Cristo Negro
Junior Rosa/Divulgação - Paixão do Cristo Negro