Cinema

Time destinado à vitória: Meryl Streep e Anne Hathaway endossam 'Prada'

O diabo veste Prada 2 traz a continuação do sucesso de 2006, com personagens em crises pessoais e profissionais junto à moda

Revitalizar as peças de roupa guardadas no armário para usar de novo, e promover contínuas saias-justas entre uma gama de personagens,  que irão se engalfinhar, mas sem descer do salto. Essa missão coube ao diretor David Frankel, o mesmo do primeiro longa O diabo veste Prada que, passados 20 anos, ganha continuação. "O fato de o primeiro filme continuar sendo referenciado (em falas do público), duas décadas depois, nos deu muita confiança, disse o diretor, em entrevista ao New York Times: "Enquanto o primeiro filme era um romance de formação, no qual uma jovem está aprendendo quem ela é no mundo; a sequência é sobre uma mulher madura encarando a realidade de todas as escolhas que fez em sua vida".

Baseado nos personagens do romance de Lauren Weisberger, escritora quase cinquentona e ampla conhecedora dos bastidores do, por vezes, superficial mundo da moda, O diabo veste Prada 2 traz ótima direção de fotografia do alemão Florian Ballhaus (o mesmo da série Divergente), além de vistosa direção de arte de Christopher J. Morris (de Um completo desconhecido). Mas o maior charme segue no peso do elenco dos sonhos: Meryl Streep, Anne Hathaway, Stanley Tucci e Emily Blunt. "Quando o primeiro longa foi lançado, houve o sucesso estrondoso, e aconteceu aquela coisa de, de repente, você receber um monte de roteiros e pensar: "Nossa, são todos do mesmo personagem'", disse Hathaway ao The New York Times. Nisso, não há tanta carga de repeteco e situações requentadas, pela ótica do diretor, que viu novamente delineada a carga vilanesca da icônica Miranda Priestly, encarnada por Streep.

"A personagem parece mais insegura do que no primeiro filme, mas ela continua astuta e perspicaz, superando todos desafios", defendeu David Frankel. Fragilizada, até mesmo num ambiente mais doméstico (ao lado marido, papel de Kenneth Branagh), Miranda enfrenta a era em que, mesmo defendendo a "expressão artística" na redoma da moda, percebe a chegada da ameaçadora Inteligência Artificial, que pode retaliar o campo das modelos das passarelas, das locações dos editoriais de moda e do trabalho dos designer. Depois de um catastrófico evento para a revista Runway, com o CEO enfurecido (personagem de Tibor Feldman), o mundo da alta-costura dependerá de Andy Sachs (Hathaway).

Absoluta elegância

Ao ABC News digital, Streep — sinônimo de austeridade e elegância, no filme — pontuou: "O filme fala do que você está disposto a fazer para progredir e como você negocia com a sua consciência sobre até onde você vai chegar, e ainda como talvez você não queira fazer isso". Sob a alcunha de "dinossauro", Miranda, em tempos politicamente engessados, teve que se reinventar, especialmente depois de reclamações feitas no setor de Recursos Humanos da revista. Mas, segue disparando impropérios, como chamar algumas modelos de "cabras famintas", e aludir a dependentes químicos como "viciados".

Num filme que traz críticas aos jovens atuais, capazes de abraçar comportamentos que incorrem em "calamidade pública", há espaço para coadjuvantes de luxo, como uma executiva da Dior interpretada pela mesma assistente de Miranda, no passado, Emily Blunt. No mundo das aparências, ela preza por beleza e design, e impulsiona frivolidades como distinguir o tom de uma tinta de parede como "sussurro de tulipa". Ciente da demissão coletiva de uma publicação, fato que colocou a jornalista Andy no mercado novamente, o fiel escudeiro de Miranda, Nigel, novamente conta com o talento de Stanley Tucci. Ele é vital para um evento desenvolvido pela Runway, in loco, na Academia de Belas Artes de Brera (em Milão), além de servir como contrapeso para a exótica presença de Benji Barnes (Justin Theroux), que retrata a mediocridade de alguns novos ricos, na era da comunicação em que, no filme, o conteúdo publicado nos meios digitais é destacado como para ser "lido, enquanto (o leitor) faz xixi".

Numa realidade de penúria para a revista Runway, que receberá a visita de "agentes funerários" (a equipe disposta a reformular a companhia de moda), ainda recebe destaque a personagem Amari (Simone Ashley), achatada pela prepotência de Miranda que, sim, se assume "exigente e autoritária".

 

 

 

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