Crítica

De olho na rapidinha: filme brinca com limitações para solteiros de NY

Na comédia em cartaz, Owen e Allie são os personagens impedidos de transar, exceto em uma noitada anual, dentro de uma Nova York entulhada por fiscais da liberdade sexual

Crítica // Só por uma noite ★★★

Em Nova York, o Empire State Building já abrigou cinematográficas tramas de amor. O fato até é citado no filme do ainda pouco conhecido diretor Will Gluck, mais afeito ao universo da animação, como no caso do longa Pedro Coelho, apesar da recente incursão no romântico Todos menos você (2023).

Com roteiro criativo assinado por Travis Braun, outro versado em filmes que exploram universo infantil, Só por uma noite crava mudança na trajetória dos realizadores. A nova comédia romântica aposta na lida como um sexo proibitivo — segundo realidade em que, por apenas 12 controlada horas (ao ano), os solteiros gozariam de eventuais encontros para sexo casual.

A limitação, antes do casamento, viria de um decreto governamental, algo nos moldes do já visto em 1984, o lúgubre filme de Michael Radford. Com o amor posto de lado, mesmo que involuntariamente, o casal em cena nesta comédia, Allie (Monica Barbaro, que disputou Oscar no papel de Joan Baez, em Um compelto desconhecido) e Owen (Callum Turner), pretende afogar as mágoas emocionais num raro sexo consentido.

Longe de ser modelo de beleza bem-acabado, Owen, logo no primeiro encontro com Allie (ao acaso, na rua), a ouve disparar um "Se orienta, cara", tão logo ele vomita, numa calçada, em frente dela. Sabotados por situações surreais, os dois desconhecidos seguirão em reencontros sucessivos e cada vez mais inesperados.

Trazendo enredo com profissionais do sexo, criminosos, boates e extrema valorização da liberdade, dentro de uma cidade tomada por dizeres restritivos como "Use a língua, na única noite", o filme tem lá um charme no terreno da operante falsa moral. A persistência de Allie e Owen se destaca nas aventurescas retaliações à pressora sociedade. Num dos melhores momentos, o casal luta por uma valiosa (e rara) camisinha, na controlada (e interminável) noitada. O menino pré-adolescente enxertado na rotina de Allie traz situações hilárias. Até o momento que celebra o monumento Little Red Lighthouse (em NY), os esforçados atores veem muito ir pelos ares, quando o filme perde o ritmo, dada a preguiça da montagem.

 

 

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