A aproximação iniciada durante uma turnê pelo Brasil virou música. Adonai, vocalista do Cidade Verde Sounds, lançou Originais ao lado de Alborosie, um dos artistas de maior projeção internacional do reggae contemporâneo. Produzida por DJ Gustah, da 2050, a colaboração chegou às plataformas digitais em 4 de setembro, acompanhada de videoclipe.
O lançamento reúne duas trajetórias construídas a partir da tradição jamaicana, mas desenvolvidas em contextos distintos. Adonai participou da renovação do reggae brasileiro ao aproximar o gênero do rap, do dancehall e da música urbana. Nascido na Itália, Alborosie mudou-se para a Jamaica no início dos anos 2000 e conquistou reconhecimento dentro da própria cena local.
A parceria ganhou forma depois que os artistas dividiram uma turnê pelo Brasil em 2025. A convivência nos palcos e nos bastidores abriu espaço para uma colaboração desenvolvida presencialmente, distante da lógica comum das participações internacionais gravadas sem uma relação artística mais próxima.
Originais é a realização de um sonho. Gravar com alguém como o Alborosie simboliza que estamos fazendo as coisas do jeito certo, afirma Adonai.
O título da música sintetiza a ideia que aproxima os dois artistas. Em Originais, preservar uma identidade não significa negar influências ou romper com a história do reggae. A originalidade está na maneira como cada músico absorveu essa tradição e a transportou para sua própria realidade.
Adonai levou o reggae jamaicano ao encontro da periferia, do rap e da música urbana brasileira. Alborosie percorreu o caminho entre a Sicília e Kingston, onde passou a viver e produzir. Apesar das diferenças geográficas e culturais, os dois construíram obras marcadas pela busca por pertencimento e pelo respeito às raízes do gênero.
Parceiro histórico de Adonai, DJ Gustah atua como ponto de ligação entre esses universos. Integrante da 2050, o produtor desenvolve trabalhos que transitam entre reggae, rap e música urbana. Na nova faixa, ele preserva as características dos intérpretes enquanto conduz o encontro por uma linguagem contemporânea.
Carreira solo avança sem rompimento com a banda
Embora o lançamento seja assinado por Adonai, Originais não representa uma ruptura com o Cidade Verde Sounds. O cantor desenvolve sua discografia individual paralelamente ao trabalho do grupo, no qual permanece como vocalista.
Apesar da música sair como Adonai, o Cidade Verde continua firme e forte. Neste momento, estou focando um pouco na minha carreira solo, mas a banda continua com sua missão, explica.
A produção individual do artista começou a ganhar projeção com Reggae Presidente, lançado em 2011. Em 2019, Adonai apresentou o álbum Quimera, que reuniu participações de Sizzla, Negra Li, Luccas Carlos e Fábio Brazza.
A colaboração com Alborosie amplia agora a dimensão internacional desse repertório. O lançamento sucede uma trajetória na qual Adonai já havia estabelecido conexões com artistas de diferentes vertentes do reggae, do rap e da música popular brasileira.
À frente do Cidade Verde Sounds, o cantor ajudou a construir uma das carreiras mais expressivas do reggae nacional das últimas décadas. De acordo com os números divulgados pelo projeto, a banda soma mais de 60 milhões de reproduções no Spotify, outros 60 milhões de visualizações no YouTube e aproximadamente 240 mil inscritos no canal.
O grupo ganhou projeção nacional com Missão de Paz, lançado em 2013, e se consolidou ao desenvolver uma sonoridade capaz de aproximar o reggae de uma geração também influenciada pelo hip-hop e pela música urbana.
Da Jamaica ao audiovisual
Um dos capítulos mais importantes dessa história aconteceu quando o Cidade Verde Sounds viajou à Jamaica para gravar o projeto In Jamaica no Tuff Gong Studios, em Kingston. Ligado ao legado de Bob Marley, o espaço ocupa uma posição central na história do reggae mundial.
A experiência aprofundou a relação de Adonai com a cultura jamaicana. O contato direto com músicos, produtores e ambientes ligados à formação do gênero também fortaleceu a busca por uma linguagem brasileira que reverenciasse essa tradição sem apenas reproduzi-la.
Em 2024, o Cidade Verde retomou outro momento determinante de sua discografia com o audiovisual 10 Anos de Missão de Paz. Produzido por Daniel Ganjaman, o trabalho apresentou 18 faixas, entre releituras e músicas inéditas, com participações de Planta e Raiz, Rael, Marina Peralta, Fábio Brazza e MC Kako.
Essa trajetória ajuda a dimensionar o significado de Originais. A colaboração com Alborosie conecta o caminho desenvolvido por Adonai no Brasil a um artista que transformou a Jamaica em centro definitivo de sua vida e de sua obra.
Alborosie construiu carreira dentro da cena jamaicana
Nome artístico de Alberto DAscola, Alborosie nasceu na Sicília e se estabeleceu na Jamaica no início dos anos 2000. Cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista, ele se tornou um dos artistas nascidos fora da ilha com maior reconhecimento dentro do reggae jamaicano.
Músicas como Kingston Town, Herbalist, Still Blazing e Rastafari Anthem projetaram seu trabalho internacionalmente. Sua discografia também reúne colaborações com Buju Banton, Chronixx, Beres Hammond, Kabaka Pyramid, Jo Mersa Marley e The Wailers.
Em 2011, Alborosie venceu o MOBO Awards de Melhor Artista de Reggae, reconhecimento que consolidou sua posição entre os principais representantes internacionais do gênero.
Mais do que acrescentar uma participação estrangeira ao currículo de Adonai, Originais coloca em diálogo dois artistas que buscaram uma relação direta com a cultura jamaicana e a transformaram a partir das próprias experiências.
Já disponível nas plataformas digitais e acompanhada de videoclipe, a música abre um novo capítulo na produção solo de Adonai e registra definitivamente a conexão construída com Alborosie durante a passagem do artista pelo Brasil.
