Dificuldades experimentadas no dia a dia de uma mãe de primeira viagem se somam à crise matrimonial dos protagonistas de Surda, filme exibido em mais de 50 países e que, constantemente, se vê abraçado pelo público, dada a forte conexão com a personagem da atriz Miriam Garlo que, surda, deu base a situações ilustradas no título que abre a programação da Mostra de Cinema Espanhol 2026, no Cine Brasília (EQS 106/107), entre os dias 8 e 11 de outubro. Cinco filmes, com legendas, serão apresentados, sem cobrança de ingressos. Surda será atração das 19h de quinta-feira.
"Na Espanha, como em muitos países que visitei da América Latina e da Europa, a comunidade surda está longe de viver em igualdade. Acho que vivemos em sociedades que viram as costas para a diversidade. Pessoas surdas precisam fazer um esforço extra constante para conseguir se orientar no mundo, para se adaptar, porque, infelizmente, elas precisam se adaptar. A sociedade não se esforça muito para se adaptar a elas, não", comentou a diretora do longa, Eva Libertad, ao Correio, quando da estreia do filme no Brasil, em maio passado.
Angela, personagem de Miriam (irmã, na vida real, de Eva), no drama familiar (ponto em comum aos filmes da mostra), enfrenta barreiras impostas a uma pessoa com deficiência prestes a ter o primeiro filho, num filme abrigado na empatia da plateia. Além da vitória no Festival de Berlim (na ótica do público de 2025), o filme conquistou três Prêmios Goya (o mais importante da Espanha). Vitórias que endossaram a bela trajetória da atriz central. "Miriam estudou, formou-se e até obteve um doutorado em Belas Artes pela Universidade Complutense de Madrid. Ela se formou com louvor em Belas Artes e, aos 30 anos, passou por uma profunda crise existencial. Foi então que decidiu se conectar com a língua de sinais e com a comunidade surda. Sua vida mudou. Ela sempre diz que, quando começou a estudar língua de sinais, foi como passar de ver o mundo em preto e branco para vê-lo em cores", observou a diretora Eva Libertad.
Mais dramas
A mostra de cinema contemporâneo, promovida pela aliança entre a Embaixada da Espanha e o Instituto Cervantes e que exalta traços dos laços humanos, tem Brasília por ponto final, depois de projetada em 10 outras cidades. Elencos afiados como os do longa Todos sabem, de Asghar Farhadi, formado por Penélope Cruz, Javier Bardem e Ricardo Darín, prometem mobilizar novo público. Todos sabem foi programado para as 19h de sexta-feira. No thriller, pesam histórias do passado de Laura que, de volta à aldeia natal, ressuscita intrigas que rearmarão intensa vivência de conflitos.
No próximo domingo (às 18h), será a vez de Fechar os olhos, de Víctor Erice, exibido no Festival de Cannes, marcando retorno do bissexto cineasta. Em 2024, a fita foi considerada a melhor por votantes da revista The New Yorker. O filme traz uma reflexão da existência, alinhando tempo e memória, centrada na figura de um cineasta e de um amigo deel, ator desaparecido.
No sábado, respectivamente, às 18h e às 20h15, estão alinhados dois filmes de 2024 conduzidos por mulheres: Os lampejos (de Pilar Palomero) e Sou Nevenka (de Icíar Bollaín). O primeiro rendeu à atriz Patricia López Arnaiz a Concha de Prata de melhor interpretação (no Festival de San Sebastián), ao contar do reencontro entre Isabel e o ex-marido que encara os momentos finais da vida. Já o longa Sou Nevenka examina caso real de Nevenka Fernández, vereadora à frente de denúncia de assédio, que marcou inaugural julgamento espanhol no âmbito político de violência. O longa rendeu quatro indicações ao Prêmio Goya de 2025.
