Cinema

'Lilo, Lilo, Crocodilo' traz uma animada trama vivida em família

Atração para toda a família, o longa-metragem 'Lilo, Lilo, Crocodilo' estreia, com muita música e algumas lições de vida

Crítica // Lilo, Lilo, Crocodilo ###

Quando o novo filme dirigido por Josh Gordon e Will Speck dá a partida, o decadente personagem de Javier Bardem, Hector Valenti, metido no showbiz, tem pela frente nada promissoras parcerias artísticas com lêmures, morcegos, jiboias e tarântulas. Há ainda a promessa de integrar a atração chamada A Dança dos mil Pombos. Nada dá certo, entretanto, até que ele, alheio ao controle de animais silvestres de Nova York, opta por se associar ao incomum e fofo minicrocodilo cantante no qual esbarra em uma exótica loja de rua. A moderação no estilo de humor da dupla de diretores, conhecida por Coincidências do amor e A última ressaca do ano, impera no filme que é destinado à família e deixa para trás a violência dos mesmos diretores da série de desenhos animados Assassímio.

Batizado como Lilo, o pequeno animal se mostra um poço de doçura, mas não demora a crescer, sem muito render (financeiramente) para Hector. Repleto de números musicais (com muito aproveitamento da voz de Shawn Mendes), e com trilha que inclui até música de Elton John, o longa mescla computação gráfica e personagens de carne e osso, ao mesmo tempo em que tira proveito do talento do pequeno Winslow Fegley (Noitários de arrepiar), intérprete do introvertido Josh. Abandonado, Lilo tem uma bela amizade com Josh à vista.

Com uma trama de superação, balizada por elementos cruéis e ressentimento, ainda que convirja para diversão, autenticidade e redenção, o filme tem roteiro convencional de Will Davies, desde os anos 1980, empenhado em aventuras leves como Gato de Botas e Como treinar o seu dragão. Sem demora, o crocodilo de estimação se ajusta aos pais de Josh, interpretados por Scott McNairy (Sempre em frente), na pele do professor de matemática Primm, e Constance Wu, no papel de uma pesquisadora de gastronomia.

Sem muitos conflitos, o longa baseado na literatura de Bernard Waber — que, com naturalidade, apresenta o irreal da interação entre pessoas e o animal especial — acolhe bem a harmonia dos livros publicados desde meados dos anos de 1960. O grande combatente de Lilo & companhia é o personagem de Brett Gelman, um vizinho ranzinza que atende por senhor Grumps. Sempre pronto para externar denúncias e mau humor, Grumps não desgruda o olho da mimada gata Loretta, criada por ele com exageros de cuidados.

Com toda a aparência de inofensividade do dinossauro Barney, o crocodilo Lilo deixa de lado a postura de bicho de pelúcia, à qual, inicialmente, está sujeito. Embalada por cumplicidade e aventuras como a da cata por restos de comida, Lilo traz confiança para Josh, anteriormente, capaz até de recorrer para tutorial de "como puxar conversa na escola". Na inesperada convivência com a família Primm, o calado Lilo surpreende ao entoar Take a look at us now e ainda cria muita graça em situações como a tira, momentaneamente, o antigo campeão da liga de luta greco-romana Sr. Primm da aposentadoria.