Crítica

Besouro Azul convence com herói acidental e despretensão, mas falta algo

Adaptação do herói da DC com marcada origem mexicana, Besouro Azul abre chance hollywoodiana para Bruna Marquezine, no filme que investe em humor e despretensão

Bruna Marquezine é destaque, desde o pôster -  (crédito: Divulgação/Warner Bros.)
Bruna Marquezine é destaque, desde o pôster - (crédito: Divulgação/Warner Bros.)
Ricardo Daehn
postado em 18/08/2023 11:03

Um rapaz com um poder meio aleatório e do qual ele não tem muito controle. Em linhas gerais, esse é o enredo de Besouro Azul, o mais novo título da DC, e que vem embalado pela direção de Angel Manuel Soto. Muitas das certezas do jovem Jaime Reyes (Xolo Maridueña) se desintegram à frente dele: a casa, uma metáfora para o coração de sua família, está ameaçada; ele, desempregado, e seu pai (Damián Alcázar) teve recente infarto. Na conjuntura negativa, Jaime, que se tornará o Besouro Azul, ganha poderes que ainda se encontram no patamar de teste. Tal qual um Venom, ele será hospedeiro para algo que lhe escapa das mãos. Nada atento e impulsivo, Jaime será tragado por um universo visual movido a alto potencial brega.

Com mais de 15 anos de pesquisas ligadas ao escaravelho que desponta na trama, noutra frente da história, Victoria Kord, uma vilanesca empreendedora vivida por Susan Sarandon será o elo com a personagem interpretada pela brasileira Bruna Marquezine, a ricaça que balançará os sentimentos do empolgado Jaime. Solitária, Jenny (Marquezine) sente lá uma ponta de inveja do pretendente: "Sua casa é cheia de amor". Com muitas cenas, Marquezine segura bem a estreia num papel do universo DC. Com a temperamental família de origem mexicana, e convivendo com efeitos visuais capengas, Reyes abraçará um humor que traz algo de O Esquadrão Suicida. O tio bonachão dele, Rudy (George Lopez), nesta aventura movida a despretensão, é quem alerta para o aparecimento do clima com teor de conspiração governamental, depois que Reyes se vê todo poderoso.

Misturando uma estética de Tron com uma dramaticidade momentaneamente roubada de Blade Runner, Besouro Azul coloca o desorientado rapaz em confronto com Carapax (Raoul Max Trujillo), um serviçal da empresária Victoria (Sarandon, progressivamente, com um aspecto desleixado no filme). Muitos aspectos de coincidência e obviedades incomodam no roteiro em que o protagonista, desavisado, resguarda uma caixa misteriosa que contém um inseto (confundido até com um tamagotchi). Por instantes, o espectador pode ter a sensação de estar revendo Jogador número 1, de Spielberg.

Junto com a cena das drogas no ponto de ônibus, toda a sequência da desastrosa aquisição dos poderes, testemunhada pelos familiares mexicanos (de verve italiana) faz toda a diferença em Besouro Azul. As piadas recorrentes da nudez do protagonista ficam no lugar-comum, bem como a papagaiada do tipo paternal da trama com fundo motivacional que toca temas como destino, jornada e propósito.

Atrações diversas  

Em franca atividade, o Cine Brasília (EQS 106/107), no domingo, terá debate com o diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho (Bacurau), o cineasta autor de Retratos Fantasmas, a ser mostrado às 18h30 (com debate) e 21h30. O filme revela os impactos culturais na Recife do século 20, a partir das transformações que tocam um cinema de rua. Águas do Pastaza, documentário da portuguesa Inês T. Alves, será apresentado às 10h. Na programação, às 14h, o longa Infinitas terras 14h, traz Bruno Torres dirigido por Cauê Brandão, na trama de um quadrinista que tenta resgatar a organização no seu dia a dia. Nesta sexta (18/8), às 16h40, e programado para as 16h em outros dias, Môa, raiz afro mãe também entra em cartaz.

 

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