Brasileiros guardam R$ 277 bilhões em casa na pandemia

O entesouramento cresceu R$ 61 bilhões e bateu recorde na crise do novo coronavírus, segundo o Banco Central

Marina Barbosa
postado em 29/07/2020 19:40
 (foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)

Os brasileiros ampliaram o volume de dinheiro em espécie que é guardado em casa diante das incertezas causadas pela crise do novo coronavírus. O aumento já é de R$ 61 bilhões e fez o entesouramento bater recorde no Brasil, segundo o Banco Central (BC).

Dados apresentados nesta quarta-feira (29/07) pelo BC mostram que o volume de papel moeda que é mantido em poder do público saltou de R$ 216 bilhões para R$ 240 bilhões logo no início da pandemia de covid-19, entre março e abril. E essa reserva de emergência continuou subindo com o passar do tempo, chegando a R$ 259 milhões em maio, a R$ 273 bilhões em junho e ao recorde de R$ 277 bilhões em julho.

"Não é um fenômeno típico no país. Mas, em momentos de incerteza, as pessoas tendem a fazer saques e acumular uma reserva, porque o dinheiro, em um tempo de incerteza, é um sinal de segurança e estabilidade", comentou a diretora de administração do BC, Carolina de Assis Barros.

Ela também apontou, contudo, outro motivo para o aumento do entesouramento: os pagamentos do auxílio emergencial de R$ 600. "O BC acredita que os beneficiários do auxílio emergencial que receberam o benefício em espécie também não retornaram esse dinheiro ao sistema bancário com a velocidade que a gente esperava", disse a diretora.

Por conta disso, o meio circulante brasileiro - isto é, a quantidade de dinheiro que está em circulação no país - também bateu recorde durante a pandemia do novo coronavírus. Segundo o BC, havia cerca de R$ 281 bilhões em circulação no país no fim de 2019 e a expectativa era que o meio circulante crescesse a R$ 301 bilhões neste ano. Porém, com o aumento do entesouramento, o meio circulante já chegou a R$ 342 bilhões na pandemia.

Esse fenômeno ampliou, portanto, o volume e o custo da emissão de moeda no Brasil. Por isso, o Banco Central pediu ao Conselho Monetário Nacional (CMN) R$ 113 milhões para ampliar a produção das cédulas de R$ 100 e também para lançar a nova cédula de R$ 200 no próximo mês - cédula que, segundo o BC, vem justamente para fazer frente a essa demanda maior da população por dinheiro em espécie.

"O BC observou os efeitos de entesouramento trazidos pela pandemia e não sabe por quanto tempo isso vai perdurar. [...] Por isso, entende que é um momento oportuno para a nova cédula. É o BC agindo preventivamente diante do aumento da demanda por numerário", afirmou Carolina.

A diretora do BC garante, por sua vez, que o BC não pretende ampliar novamente a produção de papel-moeda prevista para este ano. E assegurou que a quantidade de dinheiro existente é suficiente para a demanda da população. Ou seja, que não vai faltar dinheiro em papel nos bancos.

"O BC entende que a quantidade de papel moeda em circulação é adequada para fazer frente às diferentes necessidades da população. O BC tem atendido a rede bancária. Não há falta de numerário", destacou.

Carolina ainda frisou que o aumento do meio circulante não é uma exclusividade brasileira na pandemia. Segundo ela, esse fenômeno também foi observado em países como os Estados Unidos, o Japão, a Itália, o Reino Unido e a China - todos duramente afetados pela pandemia do novo coronavírus.

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