10 milhões retornaram ao trabalho após afastamento por causa da covid-19

De 12 a 18 de julho, estavam nessa condição 6,2 milhões (7,5% da população ocupada). O número de afastados caiu pela oitava semana seguida

Vera Batista
postado em 07/08/2020 12:37 / atualizado em 07/08/2020 12:55
 (foto: Nelson Almeida/AFP)
(foto: Nelson Almeida/AFP)

De maio para cá, cerca de 10,4 milhões de pessoas, que estavam temporariamente afastadas em consequência da pandemia pelo coronavírus, retornaram ao trabalho. De 12 a 18 de julho, estavam nessa condição 6,2 milhões (7,5% da população ocupada). O número de afastados caiu pela oitava semana seguida. Tanto em relação à semana anterior, quando 7 milhões estavam afastados (8,6%), e também no confronto com a semana de 3 a 9 de maio (16,6 milhões ou 19,8% dos ocupados), quando a Pnad Covid-19 semanal, uma versão da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), começou a ser apresentada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Como o total de pessoas não afastadas do trabalho aumentou na terceira semana de julho, isso indica que a maioria das pessoas que estavam afastadas pelo distanciamento voltaram para o trabalho que tinham antes da pandemia”, explicou a coordenadora da pesquisa, Maria Lúcia Vieira. A população ocupada e não afastada do trabalho foi estimada em 72,5 milhões, com aumento em relação à semana anterior (71 milhões) e também frente à semana de 3 a 9 de maio (63,9 milhões). “Esses trabalhadores podem estar afastados por outros motivos, como licença para tratamento de doença e licença maternidade, por exemplo”, disse Maria Lúcia.

Entre essas pessoas, 8,2 milhões (ou 11,3%) trabalhavam remotamente - estável frente à semana anterior (8,2 milhões ou 11,6%) - e, em números absolutos, também estável em relação à semana de 3 a 9 de maio (8,6 milhões), porém com queda percentual (13,4%) nessa comparação. O que significa, segundo o IBGE, que esse grupo diminuiu, pela primeira vez. No início de maio, 8,7 milhões estavam trabalhando de casa. O grupo de pessoas que gostaria de trabalhar, mas não procurou emprego devido à pandemia ou por falta de trabalho na localidade em que vive ficou em 18,6 milhões.

Informalidade e carteira assinada

A Pnad Covid19 aponta, ainda, que 26,6 milhões de pessoas estavam na informalidade. A taxa, no entanto, recuou para 32,5% da população, na terceira semana de julho, frente a anterior. No início de maio, 29,9 milhões (35,7%) estavam na informalidade. Entre os informais, estão os empregados do setor privado sem carteira; trabalhadores domésticos sem carteira; empregadores que não contribuem para o INSS; trabalhadores por conta própria que não contribuem para o INSS; e trabalhadores não remunerados em ajuda a morador do domicílio ou parente.

A taxa de desocupação ficou em 13,1%, atingindo 12,3 milhões de pessoas sem trabalho. A ocupação pouco variou na terceira semana de julho, em relação à anterior (81,8 milhões de pessoas), mas esse número é menor que o da primeira semana de maio (83,9 milhões). Menos da metade da população (48%) estava trabalhando na terceira semana de julho.

Saúde

De acordo com o estudo, Cerca de 13,8 milhões de pessoas se queixaram de algum dos sintomas de síndrome gripal, mas somente 3,3 milhões buscaram atendimento médico, a maioria (2,8 milhões) em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) na terceira semana de julho. Desse total, 135 mil ficaram internados em algum hospital. No início de maio, quando a Pnad Covid19 começou, 26,8 milhões relataram algum sintoma.

Dor de cabeça foi a principal queixa (6,3 milhões) na terceira semana de julho, seguida por nariz entupido ou escorrendo (5,2 milhões), tosse (4,5 milhões), dor muscular (3,8 milhões), dor de garganta (3,8 milhões), fadiga (2,5 milhões), perda de cheiro ou de sabor (1,7 milhão), dificuldade de respirar (1,7 milhão) e dor nos olhos (1,4 milhão).

Entre as 3,3 milhões de pessoas que tiveram algum desses sintomas, 44,6% disseram ter buscado atendimento médico em postos de saúde públicos, 22,4% em prontos-socorros e outros 18,1% em hospitais do SUS. Já na rede privada, 9,3% procuraram ambulatório ou consultório privado ou ligado às forças armadas, 5,9% foram para prontos-socorros privados e 10,8% para hospitais privados.

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