Projeções otimistas

Fernanda Strickland* Israel Medeiros*
postado em 11/08/2020 06:00

As projeções de retração do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro melhoraram mais uma vez. Em maio, mês mais severo da crise, instituições especializadas falavam em algo próximo de 7%. Há quatro semanas, o boletim Focus, do Banco Central previa retração de 6,1%. Já na atualização divulgada ontem, a queda era menor: 5,62%.

Os indicadores iniciais de atividade econômica em julho sinalizam uma recuperação mais veloz do que a inicialmente prevista pelo mercado. O Índice Gerente de Compras (PMI) brasileiro bateu recorde no mês passado, registrando a maior pontuação desde 2006, ano de início da pesquisa: 58,2 pontos. Resultados acima de 50 representam aquecimento da economia. Mas, ainda há incerteza em relação ao que vem pela frente.

Renan Silva, economista da Bluemetrix Investimentos, diz que os sinais são bons, mas não correspondem à realidade a longo prazo, porque os estímulos do governo, via auxílio emergencial ou incentivos fiscais, vão acabar em algum momento. A partir daí, seria possível “medir a temperatura” da economia brasileira.

Segundo ele, o Banco Central (BC) ainda tem espaço para cortar os juros básicos. “Estamos em retração bastante dura e, ao mesmo tempo, temos baixa inflação. O BC pode dar um estímulo adicional porque o Brasil, diferentemente de outros países, tem essa margem de manobra que pode ser usada. A Selic pode cair até a 1,75% ou 1,50%”, avaliou.

Para Felipe Queiroz, pesquisador da Unicamp, o auxílio emergencial segurou a economia ao manter o consumo de grande parte da população. “Mas, as projeções estão muito otimistas, tendo em vista os cenários interno e externo. O auxílio tem efeito multiplicador alto na economia, é consumo direto na veia. Mas o governo já projeta cortar”, destacou.

A economista Simone Pasianotto, da Reag Investimentos, não acredita em retomada rápida. “Ao contrário de outros países, a gente ainda terá de manter políticas de apoio. Estamos nos levantando da queda, mas de forma alguma isso é uma retomada ou crescimento sustentável. Quem vê crescimento se baseia nos dados marginais, mas, em comparação ao ano passado, todos os indicadores estão em queda”, explicou ela.

*Estagiários sob supervisão de Odail Figueiredo

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