Depois de encontro com Guedes, Maia diz não ver espaço para prorrogar o auxílio emergencial

O parlamentar insistiu que as soluções para a crise econômica resultado da pandemia de coronavírus vai ter que ser enfrentada com o orçamento previsto

Luiz Calcagno
Alessandra Azevedo
postado em 11/08/2020 21:29 / atualizado em 11/08/2020 21:35
 (foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados)
(foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados)

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que não há espaço para prorrogar o auxílio emergencial de R$ 600. A afirmação ocorreu após reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes. Ele afirmou que se preocupa com um número grande de projetos de lei para furar o teto de gastos, o que chamou de "jeitinho brasileiro". O parlamentar pediu paciência e avisou que, "se explodir o teto de gastos de um lado, a economia afunda do outro". "A pandemia foi forte na economia, principalmente na perda de vidas, mas para retomar o caminho correto do que vinha fazendo em conjunto com Paulo Guedes e, antes, com o ex-presidente Michel Temer. Precisamos de responsabilidade, o que passa por soluções estruturais. O jeitinho brasileiro tem que ficar de lado", criticou.

O parlamentar insistiu que as soluções para a crise econômica resultado da pandemia de coronavírus vai ter que ser enfrentada com o orçamento previsto. Caso contrário, a população pagará o pato. “A sociedade não está mais disposta e nem tem condição, com a crise, de colaborar. Não tem saída fácil. Todos queremos investimento público. Isso não é crime. Sou a favor. Mas dentro do teto de gastos. Se nós olharmos as PECs que o governo mandou para o senado, dentro dessa realidade, temos que conseguir espaço. O ministro Paulo Guedes sempre fala em desvincular e desindexar o orçamento e devolver, no longo prazo, para a política, as soluções do orçamento público brasileiro”, disse.


Maia lembrou, ainda, que o orçamento é muito engessado, e reclamou da dificuldade de reduzir despesas. “A questão da possibilidade de mexer no orçamento, reduzir despesas em momento de crise, não é possível em um país como o Brasil, em um momento que a arrecadação dos estados e união cai 20%, 30%, que você não possa cortar despesa. Isso não existe. Vai inviabilizando cada vez mais as condições do gestor público de governar o Brasil, estados e municípios. O que estamos dizendo é que eu vejo deputados, senadores, ministros do governo, todo mundo querendo recurso para investimento público no próximo ano em todos os poderes. Todo mundo está pensando isso. Então, todo mundo tem que construir a solução”, afirmou.


“Precisamos de investimento e o equilíbrio fiscal é uma das âncoras mais importantes. Nossa decisão de estar aqui falando em conjunto é para mostrar para a sociedade, para o governo, para o legislador, para o Supremo, que nós, eu que tenho responsabilidade de pautar, e de construir a pauta com o líder Artur, o ministro Paulo Guedes, nesse momento tão difícil de nossa economia, que queremos encontrar caminhos para melhorar a qualidade do gasto público, mas não será furando o teto de gastos. Não será com jeitinho. Será reformando o estado. Fizemos a previdência, fizemos a trabalhista, estamos começando a tributária e precisamos, até antes da administrativa, regulamentar os gatilhos do Teto de Gastos, que deve ser nossa prioridade número um”, avisou.

Para Maia, as reformas também servirão para distensionar as relações dentro do parlamento e do governo. O presidente da Câmara acredita que, dessa forma, criará condições para abrir espaço para investimento em 2021, ano em que a crise econômica será mais sentida. “Mas que seja desindexando orçamento, desvinculando, que é o caminho razoável, racional e responsável para saber da crise melhor que a gente entrou”, pediu.

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