Auxílio emergencial ameniza queda do PIB; prorrogação é avaliada

Mercado continua reduzindo previsão de queda da economia neste ano, devido ao impulso no consumo provocado pela ajuda emergencial de R$ 600. Possibilidade de renovação do benefício é avaliada com lupa por economistas

Israel Medeiros*
postado em 18/08/2020 06:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press   )
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press )

Semana após semana, as projeções do mercado financeiro para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro melhoram. De acordo com o último Boletim Focus, do Banco Central, o PIB deve encolher 5,52% em 2020. É uma previsão melhor que a de meados de junho, quando, em meio ao receio por uma segunda onda de casos da covid-19 e efeitos acentuados da pandemia, a previsão de um recuo superior a 6%.

Na época, entidades internacionais, como a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) chegaram a projetar queda de 9,1% para a economia brasileira. Porém, em julho, a recuperação ganhou impulso pela reabertura da economia e pelo efeito do que os economistas chamam de “injeção de consumo na veia”, referindo-se ao auxílio emergencial de R$ 600.

Por isso, economistas olham com atenção para a possibilidade de renovação do benefício neste segundo semestre, pois ela poderá impactar nos resultados econômicos. O plano do governo é implementar um novo programa de renda mínima, o Renda Brasil, que substituiria o Bolsa Família. No caso do auxílio, o governo estuda prorrogá-lo até o fim do ano, com um valor menor, de R$ 200. Considerando os cenários possíveis, as projeções do PIB por especialistas variam entre 4% e 6% de recuo. Uma eventual manutenção do auxílio significa um resultado mais positivo. Já a interrupção poderia causar uma queda mais acentuada na economia.

Para José Luis Oreiro, professor da Universidade de Brasília (UnB), as projeções captadas pelo Focus estão incorretas. “Se a gente olhar dados de arrecadação fiscal e de queda de importações, tudo aponta para uma queda de dois dígitos”, argumentou.

Oreiro avalia que o auxílio emergencial não terá tanta influência no resultado do PIB, e afirma que o Brasil poderá ter um desempenho parecido com nações que foram ineficientes nas medidas para conter o avanço da pandemia. “Outros países fizeram programas de assistência também, como foi o caso do Reino Unido. Isso não os impediu de ter uma queda de 20,4% no segundo trimestre. Acho que teremos um comportamento do PIB parecido com Reino Unido e Estados Unidos”, disse.

Já Marcelo Kfoury, coordenador do Centro Macro Brasil da FGV, acredita que a previsão do Focus está correta e que o auxílio tem grande influência no resultado, ao lado do retorno às atividades no setor produtivo. “Os R$ 600 do auxílio incentivaram muito a economia, mas o valor poderá ser diminuído, uma vez que está gerando um deficit alto para os cofres públicos. Mas há uma cláusula na regra do teto de gastos em caso de calamidade pública”, explicou.

Segundo o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF), do Senado Federal, divulgado ontem, a dívida bruta do governo geral já aumentou 9,7 pontos percentuais do PIB entre dezembro de 2019 e junho de 2020. O relatório aposta em uma retração de 6,5% do PIB. Também segundo o RAF, a queda do PIB no segundo trimestre deverá ser de 8,8%. O estudo detalha ainda que a perda de receita líquida no primeiro semestre deste ano correspondeu a 2,5 pontos percentuais do PIB.

*Estagiário sob a supervisão de Odail Figueiredo

Demissões no BB
O Conselho de Administração do Banco do Brasil demitiu, por justa causa, dois executivos da área de auditoria e cortou as comissões de cinco gerentes por suspeitas de fraudes. O comitê do qual eles faziam parte foi dissolvido. Os executivos demitidos são Aureli Carlos Balestrini e Alexander Alves Pires. Eles e os outros cinco que perderam as comissões são acusados de favorecer uma pessoa da área de auditoria num processo de desligamento voluntário proposto pelo banco. Essa pessoa não reuniria todas as condições para receber os benefícios do programa. Os demitidos prometem recorrer à Justiça.


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