46% apoiam volta da CPMF se imposto bancar a desoneração da folha, aponta XP/Ipespe

Pesquisa XP/Ipespe mostra que a rejeição ao novo imposto cai quando a proposta aparece como condição para a desoneração da folha ou o Renda Brasil

Marina Barbosa
postado em 18/08/2020 16:16
 (foto: Luiz Macedo/Câmara dos Deputados)
(foto: Luiz Macedo/Câmara dos Deputados)

O plano do ministro da Economia, Paulo Guedes, de taxar as transações digitais começa a ganhar apoio de parte da população, a despeito da resistência de figuras como o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Pesquisa XP/Ipespe publicada nesta terça-feira (18/08) explica que a rejeição à nova CPMF cai de 78% para cerca de 40% quando o tributo é apresentado como uma forma de custear o Renda Brasil ou a desoneração da folha, como promete Guedes. Nesse caso, a aprovação à volta da CPMF gira entre 43% e 46%.

A pesquisa XP/Ipespe ouviu mil brasileiros na semana passada e constatou que 78% dos entrevistados são contra a volta do imposto sobre movimentações financeiras quando esse tributo é apresentado sem nenhuma contrapartida. Porém, esse índice de rejeição cai gradativamente à medida que a nova CPMF aparece como uma forma de resolver outros problemas brasileiros. A rejeição é de 64% se o imposto for para equilibrar as contas públicas, de 43% se servir para custear o renda Brasil e de 37% se compensar a desoneração da folha de pagamento das empresas.

Quando a nova CPMF é apresentada como uma forma de custear o Renda Brasil ou a desoneração da folha, o percentual de brasileiros que dizem concordar com a proposta também sobe consideravelmente. Segundo a XP/Ipespe, o índice de aprovação é de apenas 12% quando não há contrapartidas para o novo tributo, mas salta para 21% quando se fala em equilíbrio das contas públicas e para 43% quando é uma fonte de financiamento do Renda Brasil. Nesse caso, a aprovação e a reprovação à nova CPMF empatam. Mas, no caso da desoneração da folha, a aprovação ao novo tributo é até maior que a rejeição: 46% de aprovação x 37% de rejeição.

A ideia de criar um tributo sobre transações financeiras tem sido defendida pelo ministro da Economia justamente como uma forma de compensar a arrecadação que o governo perderia com a desoneração da folha. A desoneração foi prometida por Guedes como uma forma de incentivar a geração de empregos no pós-pandemia e reduzir o custo de setores que serão impactados pela reforma tributária, como o de serviços.

Mas a pesquisa XP/Ipespe também dá outra dica do que pode justificar a aprovação à proposta: a elevada carga de impostos é o principal problema do sistema tributário brasileiro para a maior parte dos entrevistados (41%). O problema é seguido pela falta de transparência (28%), injustiça (14%) e complexidade (6%).

O estudo, contudo, também revela certo desconhecimento em relação aos detalhes da reforma tributária que está sendo discutida entre o governo e o Congresso. Quando questionados sobre o seu nível de conhecimento acerca da proposta, só 10% dos entrevistados disseram estar bem informados sobre o assunto; 30% estão mais ou menos informados; 31% estão pouco informados e 26% não estão informados sobre a reforma tributária.

Além disso, a pesquisa revela que boa parte da população não lembra como a CPMF era cobrada. O percentual chega a 59% e sobe para 78% entre as pessoas que têm entre 18 e 34 anos de idade.

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