Pedidos de seguro-desemprego desaceleram em agosto

Segundo o Ministério da Economia, 216,3 mil pedidos foram registrados nos primeiros 15 dias de agosto - cerca de 20% a menos que na quinzena anterior e que no mesmo período do ano passado

Marina Barbosa
postado em 20/08/2020 18:02

Apesar de o desemprego continuar em alta no Brasil, o número de trabalhadores que recorreram ao seguro-desemprego desacelerou no início deste mês. Segundo o Ministério da Economia, 216,3 mil pedidos foram registrados nos primeiros 15 dias de agosto. É o menor volume quinzenal desde o início da pandemia de covid-19.

"Os pedidos de seguro-desemprego, na modalidade trabalhador formal, somaram 216.350 na primeira quinzena de agosto deste ano. O número representa uma queda de 21,3% na comparação com o registrado no mesmo período do ano passado (274.827) e uma redução de 23,2% em relação a segunda quinzena de julho deste ano (281.728)", informou o Ministério da Economia nesta quinta-feira (20/08).

O volume também é o menor para uma quinzena desde o início da pandemia do novo coronavírus. Segundo o Painel de Informações do Seguro-Desemprego, os pedidos pelo benefício dispararam em abril, maio e junho, quando as medidas de isolamento social exigiram o fechamento de inúmeras empresas e, consequentemente, também houve o fechamento de milhares de postos de trabalho.

Só na segunda quinzena de abril, por exemplo, 480,8 mil brasileiros deram entrada no seguro-desemprego. Nos primeiros 15 dias de maio, mais 504,3 mil trabalhadores recorreram ao benefício. Foi o recorde da série histórica iniciada em 2011. Depois disso, as requisições continuaram em patamares elevados. Porém, em uma curva de desaceleração, que se confirma com os dados de agosto, quando os pedidos de seguro-desemprego chegaram a ficar abaixo do registrado no mesmo período do ano passado.

No acumulado do ano, contudo, o número deixa claro os efeitos da pandemia sobre o mercado de trabalho brasileiro. É que já foram contabilizados 4,737 milhões de pedidos de seguro-desemprego neste ano. Uma alta de 9,1% em relação ao mesmo período do ano passado: 4,343 milhões.

Especialistas confirmam que a situação ainda é grave. É que, embora as demissões possam ter desacelerado, como sugerem os pedidos de seguro-desemprego, muitos dos brasileiros que perderam o emprego no início da pandemia ainda não conseguiram se recolocar no mercado. Por isso, o desemprego continua em alta no Brasil.

Dados divulgados nesta quinta-feira (20/08) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de desemprego saltou de 12,4% para 13,1% entre junho e julho deste ano. Já são, portanto, 12,3 milhões de pessoas sem emprego no Brasil. E especialistas dizem que essa taxa ainda deve crescer nos próximos meses. Afinal, muita gente que está sem emprego ainda não está procurando uma nova ocupação devido ao isolamento social. E, como a recuperação econômica promete ser lenta, a maior parte das empresas ainda não pensa em recontratar.

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