CGU estima perda de até R$ 4 bilhões por fraudes no auxílio emergencial

Controlador-geral da União, Wagner Rosário disse ainda não ter o valor fechado do montante de recursos que pode ter sido desperdiçado por conta do recebimento indevido do benefício, mas prevê perda bilionária

Augusto Fernandes
postado em 20/08/2020 20:48
 (foto: Caixa/Divulgação)
(foto: Caixa/Divulgação)

O controlador-geral da União, Wagner Rosário, disse nesta quinta-feira (20/8) que o país pode ter perdido de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões em recursos públicos por conta de fraudes no auxílio emergencial, programa criado pelo governo federal neste ano para socorrer os brasileiros que ficaram sem renda por conta da pandemia da covid-19.

Em live nas redes sociais do presidente Jair Bolsonaro, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) destacou que essa é apenas uma estimativa e que a pasta ainda não tem o valor exato do dinheiro público que foi desperdiçado por conta dos golpes aplicados por pessoas que receberam o benefício mesmo sem precisar.

“Eu imagino algo em torno de R$ 3 bilhões, R$ 4 bilhões. São números ‘mais ou menos’, mas isso é uma estimativa. Pedi na CGU para a área específica verificar todos os encaminhamentos de sugestões de corte de benefícios que nós fizemos e multiplicar isso por R$ 600 ou R$ 1.200. A gente tem que estimar isso ainda, mas esse é um valor que imagino que vá chegar perto desses valores”, comentou Rosário.

O controlador-geral da União disse esperar que as pessoas que obtiveram os recursos de maneira irregular devolvam o dinheiro para os cofres públicos. Segundo ele, pouco mais de 100 mil pessoas já fizeram o reembolso. Rosário também destacou que, até o momento, ao menos R$ 117 milhões de recursos voltaram aos cofres públicos.


680 mil servidores aplicaram golpe


Durante a transmissão, o ministro informou, ainda, que cerca de 680 mil servidores públicos de todas as esferas (federal, estadual e municipal) foram aprovados para receber o auxílio emergencial. O número foi constatado após um cruzamento de dados entre o Ministério da Cidadania, a Dataprev, a Caixa Econômica Federal e as informações de governos e prefeituras.

Rosário explicou, no entanto, que alguns desses servidores não pediram o benefício, e sim, tiveram os seus dados utilizados por terceiros. Além disso, ele lembrou que nem todos os 680 mil são, de fato, servidores públicos, mas estagiários e bolsistas, por exemplo, que só apareceram na contagem porque fazem parte da base de pagamento da União, dos estados e municípios.

“Nós estamos excluindo, limpando isso daí, para ver o valor, para ver essa quantidade de pessoas. No âmbito federal, estamos abrindo processos e notificando os servidores que já devolveram o dinheiro a fazer um termo de ajustamento de conduta. Quem não respondeu, vai responder por ter mal utilizado os recursos públicos. Então, nós estamos pegando os dados. O número que temos é de 680 mil, mas faço a ressalva de que ele vai cair bastante quando nós fizermos um filtro melhor desses dados”, salientou Rosário.

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