ALIMENTAÇÃO

Consumo de arroz e feijão cai, mas sobe o de comida processada

Ainda assim, os alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros são, na maioria, naturais ou minimamente processados –– o que, na avaliação dos especialistas, também é positivo

Renata Rios
Jailson R. Sena*
postado em 22/08/2020 06:00
 (foto: Monique Renne/CB/D.A Press - 3/11/10)
(foto: Monique Renne/CB/D.A Press - 3/11/10)

O arroz e o feijão são uma combinação certeira nos pratos brasileiros. De Norte a Sul, a dupla garante uma alimentação balanceada e nutritiva para milhões de pessoas, de todas as idades. Mas pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE) mostra que o combinado de cereais teve uma queda no consumo, apesar de ainda ser base alimentar do país, dando lugar aos alimentos processados, sobretudo fast-food.

A sondagem, intitulada Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018: Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, realizada antes da pandemia, observou que no caso do arroz 76,1% dos entrevistados disseram que consumiram o alimento nas 24 horas anteriores à entrevista, e 60% disseram que consumiram o feijão. Os dados revelam que houve queda de 2008-2009 a 2017-2018 –– anteriormente, o consumo era de 84% e 72,8%, respectivamente.

“A queda no consumo de arroz e feijão está relacionada a uma complexidade de fatores. Tem a ver, por exemplo, com a diminuição do hábito de cozinhar e com o uso de alimentos ultraprocessados. Pode estar relacionado ao hábito de substituir o jantar por lanches ou refeições mais simples”, observa o professor do curso de Nutrição do Centro Universitário IESB, Juarez Calil.

“De forma geral, a alimentação se mantém baseada na nossa dieta tradicional de arroz e feijão com presença de carne, aves o cafezinho”, avalia o gerente da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), André Martins. Esses alimentos, muitas vezes, são a principal refeição do dia. Ao todo, são cerca de 275 gramas da mistura diariamente por brasileiro –– destas, 142,2 gramas por dia de arroz e outras 131,4 gramas diárias de feijão.

Fast-food


A pesquisa também aponta que o consumo de frutas também reduziu, de 45,4% para 37,4%. Na contramão dessa tendência, a frequência na ingestão de sanduíches e pizzas cresceu de 10,5% para 17%.

Ainda assim, os alimentos consumidos diariamente pelos brasileiros são, na maioria, naturais ou minimamente processados –– o que, na avaliação dos especialistas, também é positivo. Mas esse modo de vida pode estar ameaçado pela comida ultraprocessada.

“Alimentos ultraprocessados –– os quais, segundo o Guia Alimentar para a População Brasileira, deveriam ser evitados –– somam cerca de um quinto das calorias consumidas. A maior participação desses produtos, em relação ao total calórico, foi para adolescentes (26,7%), sendo intermediária entre adultos (19,5%) e menor entre idosos (15,1%)”, acrescenta a pesquisa.

Segundo André Martins, há problemas na alimentação básica dos brasileiros. “O consumo de frutas já era aquém do esperado em 2008 e continua. O consumo de legumes e verduras está abaixo do esperado e ainda há um aumento na ingestão de sanduíches e refeições rápidas, sobretudo no caso dos adolescentes”.



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