Dólar cai e bolsa fica estável em meio a otimismo do mercado

Investidores demonstram empolgação com os avanços na busca por um tratamento contra a covid-19, bem como com as medidas econômicas do governo federal

Jailson R. Sena*
postado em 25/08/2020 18:35 / atualizado em 25/08/2020 18:35
 (foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)
(foto: Marcello Casal JrAgência Brasil)

Depois de uma segunda-feira em alta, o dólar teve queda de 1,14%, fechando a R$ 5,52 nesta terça-feira (25/8). Já o Ibovespa, principal índice da B3, se manteve nos 102 mil pontos, apesar da queda de 0,18%, fechando aos 102.117 pontos. Os investidores seguem na expectativa por temas como a busca de um tratamento para a covid-19, e os principais anúncios do governo federal sobre medidas econômicas.

Por enquanto, foi anunciada nesta segunda a criação do programa Casa Verde e Amarela, uma reformulação do Minha Casa Minha Vida. O projeto é um dos que são considerados "prioritários para a geração de empregos" e para a retomada econômica.

Uma das medidas mais aguardadas é o Renda Brasil. Porém o valor a ser pago está sendo avaliado pelo governo. Com isso, o presidente Jair Bolsonaro decidiu adiar a divulgação por não concordar com o valor de R$ 247 mensais proposto pela equipe econômica chefiada pelo ministro Paulo Guedes.

O professor de finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec) Ricardo Rangel diz que as incertezas no ambiente político ajudam a espantar investidores estrangeiros. “As incertezas no ambiente político vêm afugentando investidores externos, pois gostam de previsibilidade institucional. A situação fiscal do Brasil ainda é o fator que gera o maior grau de incerteza”, avalia.

Ainda no cenário local, o IPCA-15 de agosto veio em linha com a mediana (+0,23%) e dentro do intervalo das projeções do mercado (+0,05% a +0,37%), ficando em segundo plano no câmbio.

No exterior, China e Estados Unidos estão sinalizando uma melhora na relação comercial. O país asiático disse que houve uma conversa “construtiva” entre os governos, enquanto os EUA dizem que ambos veem progressos e estão comprometidos com o sucesso de um acordo.

Com essa disputa no ambiente externo, os mercados ficam aflitos, o que beneficia o valor da moeda americana. “Quando ocorre uma acirrada disputa comercial, como da China e EUA, é natural que os investidores busquem o porto seguro, saindo de mercados emergentes (Brasil) para mercados maduros (EUA). Isso aprecia o câmbio aqui”, explica o professor.

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