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Auxílio e Selic explicam queda do lucro da Caixa, diz Pedro Guimarães

Segundo o presidente, o banco praticamente parou em abril e maio para pagar o auxílio emergencial. Isso reduziu a geração de receitas comerciais, que também caíram devido à queda da Selic

Marina Barbosa
postado em 26/08/2020 11:39
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, acredita que o foco nos pagamentos do auxílio emergencial e a redução da taxa básica de juros (Selic) explicam a redução do lucro líquido da Caixa Econômica Federal. O banco apresentou um resultado de R$ 2,6 bilhões no segundo trimestre deste ano, 39,3% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado e 16,1% menor que o do primeiro trimestre.

Pedro Guimarães classificou o resultado do segundo trimestre como "natural" e "esperado" diante do cenário imposto pela pandemia do novo coronavírus. Ele explicou que a covid-19 reduziu a ida das pessoas às agências bancárias e ainda reduziu a taxa básica de juros da economia brasileira para a mínima histórica de 2% ao ano, o que reduziu a geração de receitas do banco.

E lembrou que, em abril e maio, a Caixa praticamente parou para dar conta dos pagamentos do auxílio emergencial, que fazem parte do "banco social" e não do "banco comercial" que gera lucro.

"A redução de 16,1% no lucro, contra o primeiro trimestre, é absolutamente natural. A queda da margem financeira de 9,6% é natural e esperada. A queda de 7% nas tarifas é consequência da ida menor das pessoas nas agências e do foco da Caixa no atendimento do auxílio. Nós, efetivamente, reduzimos uma série de relações com os clientes e, como consequência, houve, de maneira esperada, uma redução nas tarifas", declarou Guimarães, ao apresentar o balanço da Caixa nesta quarta-feira (26/08).

O executivo lembrou que o auxílio emergencial tem sido pago a aproximadamente 67 milhões de brasileiros por mês e que a Caixa ainda tem atendido os trabalhadores que têm direito ao saque emergencial do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e do Benefício Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm). Por isso, a Caixa abriu 91,7 milhões de poupanças sociais digitais gratuitas e emitiu 67,5 milhões de cartões de débito gratuitos na pandemia para chegar a esse pessoal.

"Nosso ponto maior, do ponto de vista da redução da receita de prestação de serviços, é que houve a necessidade de se atender 90 milhões de pessoas todos os meses nas agências. Nenhum banco do mundo fez isso. Quando temos o banco focado para atender as pessoas, isso faz com que o atendimento comercial não seja o foco. Foi isso que aconteceu, em especial em abril e maio", argumentou Guimarães, lembrando que mesmo os contratos comerciais fechados nesse período podem ter um retorno menor devido à redução da Selic. "Quando tem uma redução [da Selic], tem uma redução das receitas. É natural", observou.

Além disso, o banco precisou comprar equipamentos de proteção individual para os funcionários, passou a abrir as agências às 8h e aos sábados e teve que fazer contratações temporárias para dar conta da demanda. Isso elevou em 5% as despesas administrativas e também impactou o resultado do segundo trimestre do banco. "Há sobrecarga e redução das operações comerciais Como consequência, uma redução temporária do resultado do banco", afirmou.

Expectativa

Pedro Guimarães está confiante de que esse resultado será compensado nos próximos trimestres. Ele explicou que o banco voltou a apresentar boas operações comerciais em julho e agosto, após a organização dos pagamentos do auxílio emergencial.

Um dos focos do banco tem sido a ampliação da carteira de crédito, sobretudo por meio do crédito imobiliário e do crédito consignado, que já cresceu no segundo trimestre e ajuda a compensar parte da redução de receitas provocada pela queda da Selic. "A partir de junho, voltamos [com o atendimento comercial]. Tivemos operações fortes como em julho e agosto. O balanço do terceiro trimestre vai mostrar uma recuperação na parte de receita de serviços", declarou o presidente da Caixa.

Também deve contribuir com os próximos resultados do banco a abertura de capital da Caixa Seguridade. A oferta inicial de ações (IPO na sigla em inglês) estava marcada para março e foi adiada devido à crise instalada pela pandemia, mas recentemente foi retomada. O intuito da Caixa é fazer o IPO em outubro, para arrecadar cerca de R$ 10 bilhões. E, logo depois, também abrir o capital da Caixa Cartões.

"O resultado 16% menor que no primeiro trimestre é algo sustentável, que será recuperado certamente depois da pandemia", garantiu Guimarães. O executivo admite, contudo, que também deve haver aumento da inadimplência e uma nova rodada de provisões nos próximos meses, quando chegar ao fim o programa de prorrogação de parcelas que ajudou a conter a inadimplência na pandemia.

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