Economia

Investimento recua 15,4% no segundo trimestre, aponta IBGE

Em relação a igual período do ano passado, o tombo é de 15,2%. Com isso, a taxa de investimentos do país, que estava em 15,3% no primeiro trimestre, cai para 15% do PIB

Simone Kafruni
postado em 01/09/2020 17:56
 (foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
(foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Fundamentais para a retomada do crescimento, os investimentos produtivos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), recuaram 15,4% no segundo trimestre de 2020 em relação aos primeiros três meses do ano. No entanto, a confiança dos empresários começa a se recompor, sobretudo, na construção civil, o que permite estimar um salto no indicador no terceiro trimestre. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a queda da FBCF é de 15,2%. A taxa em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 15,3% para 15%. Na avaliação dos especialistas, a retração é justificada por resultados negativos registrados tanto na produção interna de bens de capital quanto na construção civil no início da pandemia.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), José Carlos Martins, explicou que o dado, divulgado nesta terça-feira (1/9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sofreu impacto da parte informal do setor. “No período, o setor formal perdeu 80 mil empregos, mas o informal perdeu 1 milhão no início da pandemia. Agora, as lojas de material de construção estão vendendo bem, o que significa uma retomada do informal. E, no balanço do ano, estamos com 8,9 mil empregos positivos na construção civil”, disse.

Segundo Martins, o mercado imobiliário está puxando muito bem desde julho. “As vendas caíram 2,2% no primeiro semestre porque os estandes ficaram fechados em abril e em maio. E os empresários ficaram com medo de fazer os lançamentos. No entanto, estamos batendo recordes de vendas desde julho, mês com as vendas mais fortes em São Paulo de toda a série histórica”, ressaltou o presidente da CBIC. Juros baixos, rendimentos pífios em outras aplicações financeiras e até mesmo as condições de moradia em período de confinamento justificam o movimento, que deve puxar os investimentos daqui para frente, segundo o especialista.


Na opinião do economista chefe do Banco Haitong, Flávio Serrano, que estimava um tombo um pouco maior na FBCF, de 16%, o recuo não surpreende. “A produção que exige investimento despencou. A construção civil colapsou, mas agora está voltando”, avaliou. Segundo ele, investimentos são decisões de longo prazo e a pandemia criou um cenário de muita incerteza. “Abril foi o fundo do poço. Em maio e em junho, o ambiente melhorou um pouco e vamos ver um salto no indicador do terceiro trimestre”, disse.


Serrano explicou que, apesar de a retomada da pandemia ter começado, para o país impulsionar a taxa de investimento, hoje em 15% do PIB, serão necessários quatro ou cinco anos de crescimento robusto da economia. “Isso para chegar a uma taxa de 18%, 19% do PIB”, estimou.


O ideal, para garantir expansão robusta da atividade econômica, são taxas de investimento acima de 20% do PIB, explicou Fabio Bentes, economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). “Se torna inviável crescimento sustentável com nível inferior a 20%”, disse. “Serão necessárias reformas para chegar aos 20% nos próximos anos. A gente está muito longe disso.”


Para Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, a queda acelerada do consumo e as transferências de renda via auxílio emergencial levaram a uma maior taxa de poupança na economia, que passou de 13,7% para 15,5% do PIB. “Parte da elevação da poupança nesse período é precaucional, relacionada às incertezas geradas pela crise e restrições de consumo pelas medidas de combate à pandemia. No entanto, essa maior disponibilidade de poupança, aliada à baixa taxa de juros, pode impulsionar os investimentos nos próximos trimestres.”

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