BOLSA

"Cartão vermelho" de Bolsonaro incomoda e impede Ibovespa de seguir alta

Presidente também enterrou de vez o Programa Renda Brasil, que nem chegou a ser anunciado, mas estava em formulação para ser o substituto do Bolsa Família

Agência Estado
postado em 15/09/2020 12:04
 (crédito: Divulgação/Semtran RJ)
(crédito: Divulgação/Semtran RJ)
O Ibovespa acentuou as perdas, na manhã desta terça-feira (15/9), e já opera na faixa dos 99 mil pontos, após máxima aos 100.949,43 pontos. As ações da Petrobras que eram um dos focos de sustentação dos ganhos perdeu força, migrando para o campo negativo, apesar da alta do petróleo no exterior.
O movimento decorre apesar da valorização firme em Nova York depois de dados positivos da economia chinesa, da Alemanha e dos EUA. Internamente, o mercado não gostou das afirmações feitas há pouco pelo presidente Jair Bolsonaro. Disse que merece "cartão vermelho" quem sugere congelar aposentadorias.
Ele também enterrou de vez o Programa Renda Brasil, que nem chegou a ser anunciado, mas estava em formulação para ser o substituto do Bolsa Família. O estudo do novo programa foi marcado por uma série de impasses envolvendo o seu financiamento.
"Pegou mal essa ideia de congelamento, embora ajudaria nas contas ficais, pois acaba a discussão de onde arrumaria receita para o benefício. Mas parece devaneio", diz um operador. "Mostra mais uma vez um pouco mais de desgaste entre o governo e a equipe econômica", completa a fonte.
Às 10h56, o Ibovespa cedia 0,42%, aos 99.853,87 pontos. Na mínima,a atingiu 99.646,81 pontos. Ou seja, entre essa pontuação e a máxima, perdeu cerca de 1.300 pontos. O recuo só não é maior por causa de Vale ON, que subia 1,31%.

Sequência de ganho

Esse incômodo impede o índice de dar sequência ao ganho de 1,94%, aos 100.274,52 pontos da véspera. Em contrapartida, as bolsas norte-americanas sobem até 1,55% e o ganho máximo é de 1,30% na Europa.
Na China, a produção industrial de agosto continuou se recuperando, ao subir 5,6% na comparação com o mesmo mês do ano passado, superando média das expectativas de 5,2%. As vendas no varejo chinesas tiveram o primeiro resultado positivo deste ano em agosto, com avanço interanual de 0,5%, ante consenso das estimativas de aumento de 0,1%.
"Os dados não só foram positivos como vieram além das expectativas. Vem em boa hora, o mercado estava precisando de algo bom depois de alguns dias de sofrimento", avalia William Teixeira, head e especialista em ações da Messem Investimentos. Na semana passada, o Ibovespa fechou o período com perdas de 2,84%.
A despeito dos dados chineses reforçando recuperação, o minério de ferro fechou em queda de 1,27% no porto de Qindgao, a US$ 128,52 a tonelada, num processo de correção, limitando um pouco os ganhos de Vale.
Na Alemanha, o índice de expectativas econômicas da Alemanha (a 77,4 pontos) em setembro. A previsão era de queda a 70 pontos.
Além disso, o salto de 3,7 em agosto para 17 este mês do índice Empire State de atividade industrial na região de Nova York também reforça o otimismo. A despeito da alta (0,4%) menor do que a esperada (1,0%) da produção industrial dos Estados Unidos em agosto, o dado de julho foi revisado de expansão de 3% para 3,5%.
 

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