Carestia

Para equipe econômica, alta de preços de alimentos é "transitória"

Na avaliação do secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida,a inflação é localizada e temporária, e, por conta disso, indicadores continuam dentro da meta prevista para o ano

Rosana Hessel
postado em 15/09/2020 13:53 / atualizado em 15/09/2020 13:56
 (crédito: Ana Rayssa/CB/D.A. Press - 9/7/19)
(crédito: Ana Rayssa/CB/D.A. Press - 9/7/19)

Apesar de elevarem as previsões para a inflação deste ano, técnicos da equipe econômica reforçaram as afirmações de que a escalada dos preços dos alimentos é temporária, sem riscos para o descumprimento da meta prevista para o ano.

“A questão da inflação é localizada e transitória. O aumento de alguns preços de alimentos não é um processo inflacionário. É uma mudança de preço relativo, que subiu, mas depois vai normalizar”, afirmou o secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, nesta terça-feira (15/09), em entrevista a jornalistas com vários técnicos da pasta. 

Na avaliação do secretário, apesar da forte alta recente nos preços, a inflação oficial "continua em patamares comportados" e ela não deverá ser um problema para a política monetária do Banco Central. Ele e os técnicos acreditam que haverá uma "normalização" daqui para frente.

Em relatório com novas projeções macroeconômicas divulgado hoje pela Secretaria de Política Econômica (SPE), o Ministério da Economia elevou de 1,63% para 1,83% a estimativa para a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano. A meta de inflação para este ano, determinada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 4% ao ano, com piso de tolerância de 2,5%.

O estudo ainda revisou de 6,58% para 13,02% a alta deste ano para o Índice Geral de Preços (IGP-DI), devido às pressões inflacionárias, principalmente de alimentos, no atacado, segundo o secretário. A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que é o indicador que corrige o salário mínimo, passou de 2,09% para 2,35%.

 

Alta no mínimo

Na proposta do Orçamento de 2021, enviada ao Congresso no fim de agosto, o piso salarial ficou em R$ 1.067, respeitando uma correção de 2,1% sobre os R$ 1.045 atuais. Contudo, não há espaço para novas despesas ou aumento de gastos na peça orçamentária.

Caso a nova projeção para INPC seja confirmada, o mínimo precisaria ser corrigido para R$ 1.070, ou seja, um aumento de R$ 3 sobre a previsão que está no Orçamento. Questionado se há espaço para esse reajuste adicional na peça orçamentária, Sachsida evitou tocar no assunto.

“A pergunta é uma decisão política e não é econômica. Cabe ao ministro Paulo Guedes (Economia) e aos outros ministros do governo. Essa é uma decisão do núcleo político. Apenas seguindo questões técnicas, prefiro não responder à pergunta”, disse o secretário.

Para cada real adicional no salário mínimo, o custo médio das despesas do governo com aposentadorias e pensões aumenta em torno de R$ 350 milhões. Logo, seriam necessários R$ 1,050 bilhão.

Esse montante é praticamente equivalente ao valor estimado para o perdão da dívida tributária de igrejas que deixaram de ser entidades se fins lucrativos e se tornaram empresas. Agora, que não param de registrar lucro, não querem pagar a Contribuição sobre Lucro Líquido (CSLL), algo que cabe a qualquer pessoa jurídica regularizada no país e que cumpre as regras fiscais devidamente.

Na noite de domingo (13/09), ao anunciar veto parcial a esse dispositivo do Projeto de Lei 1.851/2020, que trata do assunto e perdoa as dívidas de quase R$ 1 bilhão das igrejas, o presidente Jair Bolsonaro pediu para os parlamentares derrubarem o próprio veto.

Resta saber se Bolsonaro vai defender mais o reajuste dos mais pobres ou preferir perdoar dívidas de pastores milionários, donos de mansões e templos nababescos e que não querem pagar impostos como a maioria dos contribuintes.

 

 

 

 

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