DINHEIRO DIGITAL

Pix, o novo sistema de transações financeiras, pode colocar cédulas em desuso

Uso massivo de celular para fazer transações financeiras é uma das mudanças que virão com o sistema de pagamentos instantâneo do Banco Central

Israel Medeiros*
postado em 17/09/2020 06:00 / atualizado em 17/09/2020 11:04
 (crédito: NNicolas Asfouri/AFP)
(crédito: NNicolas Asfouri/AFP)

Na China, os pagamentos são feitos quase integralmente utilizando o smartphone ou o reconhecimento facial. O Brasil pode estar próximo de uma realidade semelhante, uma vez que o Banco Central tem trabalhado para implementar o PIX — nova modalidade que permite fazer transações instantâneas em qualquer horário ou dia da semana — e o Open Banking, que permite aos clientes de instituições financeiras ter o controle de seus dados. É o que avaliou Hugo Lumazzini, analista da Unidade de Gestão de Soluções do Sebrae, em um webinar promovida ontem.

O evento contou com a participação de representantes do Bradesco, do Santander, da Elo e da Linker. Ao falar sobre as perspectivas do mercado financeiro, Lumazzini disse que o dinheiro impresso pode cair em desuso em um futuro próximo. “Acho que a gente não está longe aqui no Brasil de algo como na China, de tudo acontecer por um aplicativo, de transacionar dinheiro de um lado para o outro, e talvez começar a sumir o dinheiro em cédula. A gente tem tentado levar isso para as pequenas empresas para que elas percebam essas novas possibilidades no mercado”, afirmou.

Ele disse, também, que é possível que grandes empresas e bancos deixem de existir em alguns anos, caso não consigam se adaptar à nova realidade de bancos digitais e clientes mais exigentes. Graças à tecnologia, disse ele, a sociedade tem passado por grandes mudanças. Ele destacou que, atualmente, o mundo depende de empresas e tecnologias que não existiam há 10 ou 15 anos.

“O futuro do mundo financeiro é ser menos liderado por empresas financeiras. Acho que é uma oportunidade de ter novas empresas disputando com fintechs e bancos. A gente não tem certeza se daqui a 10 anos a Elo exista, o Bradesco, o Santander. Essas empresas vão ter que se reinventar, porque teremos muito mais concorrentes que não só do mercado financeiro”, avaliou.

Atualmente, o Brasil tem um dos sistemas bancários mais avançados do mundo. Após períodos de hiperinflação na década de 1980 e início dos anos 1990, modelos como DOC, TED e boleto foram implementados para permitir transações financeiras mais rápidas. Hoje, por meio de smartphone, é possível fazer transações em minutos. Apenas em 2019, os bancos e instituições financeiras investiram R$ 8,9 bilhões em tecnologia. Apesar dos esforços para tornar as atividades bancárias mais simples, as transações só podem ser feitas em dias úteis, em horário comercial.

Para Ingrid Barth, cofundadora da fintech Linker, o PIX vem para mudar a dinâmica do sistema brasileiro de pagamentos. Já o Open Banking deve proporcionar independência aos usuários no que diz respeito ao controle dos seus dados. As fintechs, segundo sua análise, não devem acabar com os bancos tradicionais. “Elas vêm como complemento, não para tirar os bancos tradicionais, mas talvez para participar por meio de uma parceria, porque as fintechs já são nativas digitais”, disse ela.

*Estagiário sob a supervisão de Odail Figueiredo


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