Negócios

782 mil empresas foram abertas no Brasil nos últimos quatro meses

Segundo o Ministério da Economia, a geração de negócios caiu no início da pandemia de covid-19, mas já começou a reagir, com altas expressivas em junho e julho

Marina Barbosa
postado em 17/09/2020 18:31
 (crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil)
(crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil)

Após o baque sofrido no início da pandemia de novo coronavírus, o ritmo de abertura de novas empresas já demonstra uma reação no Brasil. Segundo o Mapa de Empresas do Ministério da Economia, 1,114 milhão de negócios foram abertos no país entre maio e agosto deste ano. No mesmo período, 331,5 mil empresas foram fechadas. Por isso, o saldo do segundo quadrimestre foi positivo em 782,6 mil negócios.

O Mapa de Empresas já havia mostrado que o volume de negócios abertos no país caiu quase 30% no início da pandemia, com a criação de apenas 189.878 empresas em abril. Porém, dados apresentados nesta quinta-feira (17/9) mostram que esse recuo começou a ser deixado para trás já no mês seguinte. É que o volume de negócios criados no país subiu para 210.262, em maio, e para 265.841, em julho. E, a partir daí, ficou acima da casa dos 300 mil, superando a média dos últimos cinco anos. Foram 325.131 novas empresas, em julho, e mais 312.999, em agosto.

No segundo quadrimestre deste ano, portanto, foram abertas 1.114.233 empresas no país. O volume é 6% maior que o do primeiro quadrimestre de 2020. Também é 2% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. E foi puxado, sobretudo, pelos Microempreendores Individuais (MEIs) e por atividades como o comércio de vestuário e acessórios, a promoção de vendas, o fornecimento de alimentos para consumo domiciliar, os serviços de manicure e cabeleireiro e a realização de pequenas obras.

O Ministério da Economia não vincula, contudo, a criação desses novos negócios ao aumento do desemprego, que levou milhões de brasileiros a buscar novas fontes de renda durante a pandemia de covid-19. "Não vinculamos nenhuma relação direta entre o desemprego e o início da atividade empreendedora, até porque outras variáveis pesam nessa decisão. [...] Diversos fatores precisam ser avaliados, como a redução da burocracia, a mudança no padrão de consumo e novos mercados que se abrem. Tudo isso compõe o processo de crescimento do número de empresas", alegou o secretário especial adjunto de Desburocratização, Gestão e Governo Digital, Gleisson Rubin.

"Os dados de abertura de empresas no segundo quadrimestre têm apresentando um contínuo crescimento nos últimos anos. Percebe-se que no mês de maio ainda é nítido o impacto na economia em virtude da pandemia do covid-19. Porém, os meses subsequentes demonstram que a economia brasileira tem se recuperado, apresentando números superiores quando comparados com o mesmo período em anos anteriores", comenta o Mapa de Empresas.

Fechamento

O Mapa de Empresas ainda mostra que, apesar da pandemia ter deixado muitos negócios em dificuldades, não houve uma explosão no volume de negócios fechados no país. O indicador registrou uma queda em abril e maio, sobretudo porque os órgãos públicos que formalizam o encerramento dos negócios estavam fechados. Mas, depois da flexibilização do isolamento social, manteve-se no patamar observado antes da crise, apesar das milhares de lojas e empresas que continuam de portas fechadas nas ruas de todo o Brasil.

Segundo o documento 70.519 empresas foram formalmente fechadas em maio, além de 80.449, em junho; 92.061, em julho; e 88.540, em agosto. Antes disso, 111.019 empresas haviam sido fechadas em janeiro; 93.908, em fevereiro; 87.631, em março; e 58.623, em abril. No acumulado do segundo quadrimestre do ano, portanto, 331.569 empresas foram encerradas no país. O volume é 6,6% menor que o do primeiro quadrimestre de 2020 e 17,1% menor que o do mesmo período do ano passado.

O secretário de Governo Digital, Luis Felipe Monteiro, explicou que o Mapa de Empresas considera o fechamento formal de empresas, que é a última etapa do encerramento do negócio. Por isso, não capta todas as empresas que suspenderam as atividades por conta do isolamento social — apenas aquelas que já decidiram encerrar formalmente o cadastro da empresa.

"O que outras pesquisas entendem como o encerramento ou suspensão temporária pode gerar, sim, um encerramento formal de empresas nos próximos quadrimestres. Mas isso depende muito da decisão do empreendedor", afirmou Monteiro. Ele destacou ainda que, mesmo assim, a expectativa do Ministério da Economia é de que não haja uma explosão no número de fechamentos nos próximos meses. "Estamos no início de uma recuperação. E os negócios suspensos temporariamente, com a recuperação da economia, tendem a retomar", alegou.

"Apesar da redução momentânea dos atendimentos presenciais dos órgãos públicos em face da pandemia contribuir com a redução dos números de abertura e fechamento em geral, os dados trazem uma perspectiva de que o empreendedor tem aguardado a retomada da econômica antes de tomar qualquer decisão precipitada em relação ao encerramento de suas atividades", acrescenta o Mapa de Empresas.

Saldo

Com isso, o saldo da abertura de negócios do país foi positivo em 782.664 negócios no segundo quadrimestre deste ano. O volume é 6% maior que o do primeiro quadrimestre e 2% superior que o do mesmo período deste ano, segundo o Ministério da Economia. Com isso, o Brasil passou a contar com 19.289.824 empresas ativas, 4,5% a mais que no primeiro quadrimestre de 2020.

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