Amazônia+21

Energia solar tem como contribuir para o desenvolvimento da Amazônia

Região, de grandes usinas hidrelétricas que geram por safra, também conta com 370 MW de geração por sistemas de painéis fotovoltaicos, ressalta conselheiro da Absolar

Simone Kafruni
postado em 23/09/2020 21:01
 (crédito: Reprodução)
(crédito: Reprodução)

Com grandes usinas hidrelétricas, a Amazônia também pode contar com energia solar para ampliar o desenvolvimento em infraestrutura. Atualmente, a região já conta com 370 megawatts (MW) de potência em sistemas de painéis fotovoltaicos para geração distribuída. “Iniciativas estão sendo tomadas para ampliar a participação da energia solar na região. É grande o potencial de contribuição que a tecnologia pode levar para a Amazônia”, afirmou Márcio Takata, conselheiro da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar).

Takata participou, nesta quarta-feira (23/9), do painel Infraestrutura, energia limpa e a matriz energética brasileira: investimentos e o desenvolvimento da Amazônia, durante os debates prévios do Fórum Amazônia+21, que será realizado em novembro. No mesmo evento, o secretário adjunto da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Hélvio Neves Guerra, indicado ao cargo de diretor da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), ressaltou que o Brasil tem mais de 80% de energia renovável. “Isso seguramente é um recorde. Não há nenhum país que tenha essa mesma qualidade, em termos de sustentabilidade. E o Brasil é privilegiado porque a matriz permanecerá assim no médio e longo prazos”, destacou Guerra.

Marcelo Moraes, presidente da Associação Fórum de Meio Ambiente do Setor Elétrico (FMASE), alertou, contudo, que estudos da Empresa de Planejamento Energético (EPE) apontam que, em 2029, o parque hídrico do país terá sua participação na matriz energética reduzida dos atuais 64% para 49%. “Isso representa um ponto de atenção, porque tem custo e mais emissões”, disse. Segundo ele, dos atuais 170 gigawatts (GW), 100 são gerados por hidrelétricas. “Temos fontes térmicas com participação de 14% e 22% de fontes renováveis como solar e eólica”, explicou.

“O setor eólico teve investimentos de R$ 18 bilhões. Na solar, que hoje representa 2% da matriz, já existem contratados R$ 26 bilhões até 2025, cerca de 4,6 GW, portanto a participação vai mais do que dobrar nos próximos cinco anos”, disse Moraes. Ele lembrou que, com a Lei do Gás, o gás natural será nova vedete da energia térmica. “Com isso, até 2029, as térmicas vão passar de 14% para 19%. Espero que até lá o gás natural esteja viabilizado. Enquanto isso, as renováveis vão passar de 22% para 32%”, pontuou.

Reinvindicação

O especialista disse, no entanto, que, apesar da sustentabilidade e da modicidade tarifária da energia hidrelétrica, no Brasil, quando se fala em construir uma usina, “no dia seguinte tem reivindicação de terra indígena ou quilombola”. “Na Amazônia, há um mosaico de áreas protegidas, inviabilizando a exploração de recursos hidrelétricos. No país, 37% do território nacional é protegido, são 450 reivindicações de terras indígenas”, pontuou.

Edson Luís da Silva, presidente da Energia Sustentável do Brasil (ESBR), consórcio que administra a Usina Hidrelétrica Jirau (UHE Jirau) no Rio Madeira (Porto Velho, RO), lembrou que a construção do empreendimento foi um marco para a região amazônica. “É uma usina de safra, que foi feita para que o impacto ambiental fosse o menor possível. É um grande exemplo de desenvolvimento sustentável”, sustentou. Ao chamar de "usina de safra", Silva se refere ao fato de gerar mais energia nos períodos de cheia.

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