Inflação

Preços sobem 16,48% em um ano nos supermercados, aponta Abras

Os consumidores, que antes gastavam R$ 542,91, tiveram que desembolsar, em média, em agosto, R$ 552,84 nas compras de uma cesta de 35 produtos

Vera Batista
postado em 15/10/2020 13:02

De agosto de 2019 a agosto de 2020, o Abrasmercado, a cesta dos 35 produtos mais vendidos nos supermercados do país, registrou alta de 16,48%. No confronto com o mês anterior (julho), a alta nos preços foi de 1,83%. Os consumidores, que antes gastavam R$ 542,91, tiveram que desembolsar, em média, em agosto, R$ 552,84 nas compras. De acordo com a Associação Brasileira de Supermercado (Abras), as maiores altas foram em óleo de soja (14,16%), tomate (13,82%), queijo muçarela (8,84%), pernil (8,65%) e arroz (8,21%). Registraram as maiores quedas cebola (-28,01%), batata (-16,54%), feijão (4,81%), ovo (-4,42%) e farinha de mandioca (-3,71%).

A Região Sudeste foi a que registrou maior aumento no valor da cesta Abrasmercado em agosto (3,64%), passando dos R$ 525,87 registrados em julho, para R$ 545 em agosto de 2020. A única variação negativa foi verificada na Região Norte (-0,02%), com valor de R$ 609,58 (embora o maior preço do país, houve diferença de centavos, antes era de R$ 609,68). No Centro-Oeste, o valor da cesta teve alta de 3,33%, passando de R$ 501,27 para R$ 517,95, em média. A Associação destaca que a Abrasmercado não é a cesta básica. É composta por 35 produtos mais consumidos no setor. Além de alimentos, inclui cerveja e refrigerante, higiene, beleza e limpeza doméstica.

Alta nas vendas

Mesmo com a alta dos preços, até agosto, os supermercados brasileiros acumularam crescimento real (descontada a inflação medida pelo IPCA/IBGE) de 3,94% na comparação com o mesmo período de 2019, de acordo com o Índice Nacional de Vendas da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), apurado pelo Departamento de Economia e Pesquisa da entidade. No mês, a alta foi de 2,56% em relação a julho, e de 4,44% na comparação com agosto do ano anterior. O bom resultado se deve, principalmente, ao pagamento do auxílio emergencial de R$ 600 (agora reduzido para R$ 300 mensais).

“Como continuamos funcionando durante a pandemia, por sermos atividade essencial, os nossos resultados têm se mantido próximos da projeção da Abras, no início do ano, de 3,9% de crescimento para 2020. O pagamento do auxílio emergencial e outros programas de estímulo do governo federal ajudaram a evitar uma queda mais abrupta da economia. As restrições mais brandas em muitas localidades do Brasil, pelo controle da disseminação da covid-19, queda no número de casos da doença e de mortes, tem impulsionado a volta gradual do consumo e a melhora em diversas atividades econômicas. Seguiremos com os rígidos protocolos e trabalhando para manter a segurança de clientes e colaboradores, e com a esperança de que o pior tenha ficado para trás”, diz João Sanzovo Neto, presidente da Abras.

Apesar da esperança do presidente, o otimismo dos empresários de supermercado se retraiu no mês de agosto, chegando a 59,1 pontos (em uma escala de 0 a 100) ante os 61 pontos registrados em junho, de acordo com o Índice de Confiança do Supermercadista, divulgado pela própria Abras em parceria com a GfK. “O resultado foi impactado pelas incertezas econômicas geradas pela pandemia”, destaca a Associação.

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