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Bolsa fecha em queda de 0,75% e dólar sobe 0,32% a R$ 5,64

Apesar do recuo nesta sexta-feira, o Ibovespa acumula ganhos de 3,92% em outubro. No ano, as perdas acumuladas são de quase 15%. Moeda norte-americana segue a escalada

Simone Kafruni
postado em 16/10/2020 18:55
 (crédito: Spencer Platt/Getty Images/AFP - 7/3/16)
(crédito: Spencer Platt/Getty Images/AFP - 7/3/16)

A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) fechou em queda nesta sexta-feira (16/10) e o dólar, com alta de 0,32% cotado em R$ 5,64. O Ibovespa, principal índice de lucratividade da bolsa paulista, recuou 0,75% aos 98.309 pontos. A perda pontual, no entanto, não anulou os ganhos de duas semanas seguidas de alta. Em outubro, o Ibovespa acumula alta de 3,92%. No ano, a queda acumulada é de 14,99%.

O movimento do pregão de hoje foi pressionado pela desvalorização dos papéis da Petrobras e de bancos. Juntos, a estatal e as instituições financeiras respondem por 23,39% da carteira teórica do Ibovespa. A petroleira seguiu a baixa nos preços do petróleo. O barril do Brent caiu 0,83% a US$ 42,80, enquanto o barril do WTI recuou 0,51% a US$ 40,75. Assim, as ações ordinárias da Petrobras recuaram 2,48%, cotadas em R$ 19,30, e as preferenciais caíram 2,13%, precificadas em R$ 19,33.

Para o economista da Messem Investimentos Gustavo Bertotti, o movimento do petróleo é reflexo das novas medidas restritivas anunciadas na Europa e nos Estados Unidos, por conta do aumento dos casos de covid-19. “Petróleo é balizador da retomada de mercados. O aumento dos casos tem preocupado os investidores, o que interrompeu o tom de recuperação que vinha na bolsa bolsa brasileira”, disse.

O setor financeiro e educacional também recuaram. “Algumas ações do setor de educação caíram bastante, cerca de 4%, também decorrente desses novos casos de contaminação. Isso deve pesar na abertura do mercado na próxima segunda-feira”, afirmou. A expectativa em relação às eleições norte-americanas e o impasse sobre o pacote de estímulo do governo dos Estados Unidos por conta do quadro eleitoral devem aumentar a volatilidade dos mercados na semana que vem, segundo Bertotti.

No mercado doméstico, a preocupação é com as contas públicas. “A relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto) está crescendo muito, por isso a desvalorização da moeda ante o dólar. Embora haja perspectiva de injeção de US$ 1,3 bilhão de capital estrangeiro em outubro, o deficit é muito grande. Por isso, o dólar não perde força”, ressaltou.

O dólar dólar comercial subiu 0,32% a R$ 5,642 na compra e a R$ 5,643 na venda. O dólar futuro com vencimento em novembro registra alta de 0,71%, a R$ 5,656 no after-market, após o fechamento do mercado, o que indica a tendência da moeda. No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 subiu 13 pontos-base a 3,42%, o DI para janeiro de 2023 avançou 16 pontos-base a 4,81%, o DI para janeiro de 2025 teve alta de nove pontos-base a 6,63% e o DI para janeiro de 2027 fechou com variação positiva de seis pontos-base a 7,54%.

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