MEIO AMBIENTE

Crédito bancário para atividades sustentáveis ainda engatinha no Brasil

Empréstimos do sistema financeiro para atividades sustentáveis dobraram de 2013 para 2019, porém, mais da metade dos recursos vai para empreendimentos poluentes. BC e Febraban reconhecem a necessidade de reduzir riscos climáticos

Simone Kafruni
postado em 22/10/2020 06:00
 (crédito: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
(crédito: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

Os empréstimos bancários corporativos para iniciativas sustentáveis dobraram desde 2013, de 11% para 22% do total, em 2019. No entanto, precisam avançar mais. Isso porque mais da metade do crédito concedido a empresas foi para investimentos em atividades de risco às mudanças climáticas. A afirmação foi feita pelo ex-presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) Murilo Portugal, durante o evento “Rumo a um sistema bancário mais verde: o caso do Brasil”, promovido pela entidade em parceria com o Banco Central (BC) e o Bank for International Settlements (BIS).

Segundo Portugal, desde 2013, a Febraban começou a medir a proporção dos empréstimos bancários com relação a atividades ambientais das empresas. A média anual passou de 11,6% para 27,6% em 2017, depois caiu para 20,8% em 2018, e se fixou em 22% no ano passado. “O que não é medido não é administrado direito”, justificou. Os dados apontam, no entanto, que 53% dos empréstimos são expostos às mudanças climáticas. “Temos que examinar as oportunidades e obstáculos na expansão no financiamento verde”, disse ele.

A diretora de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, Fernanda Nechio, explicou que a autoridade monetária já tem testes de estresse relacionados a riscos climáticos, que serão aprimorados nos próximos meses. “A economia verde entrou na nossa agenda em setembro. Já temos outros pilares, como educação financeira, diversificação de ativos, que conversam entre si e com sustentabilidade. São integrados”, disse.

O objetivo de incluir o pilar sustentabilidade, acrescentou Fernanda, é garantir solidez ao sistema bancário. “Choques climáticos afetam preços relativos, portanto afetam política monetária. Eventos extremos põem em risco o sistema financeiro nacional”, justificou.

Isaac Sidney, presidente da Febraban, ressaltou que a pandemia mostrou a vulnerabilidade da economia aos fatores naturais. “Deixou claro que devemos ter atitudes positivas em relação à natureza. O setor bancário sempre esteve atento à necessidade do desenvolvimento sustentável. Mas temos como avançar mais rapidamente, tanto na gestão de riscos socioambientais, quanto na promoção de oportunidades mais alinhadas com a conjuntura internacional”, assinalou Sidney.

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