MERCADO

Dólar cai 6% na semana com possível vitória de Biden e termina em R$ 5,39

No ano, a desvalorização da moeda frente ao real é de 34%. Já a Ibovespa sofreu leve alteração positiva de 0,17%, aos 100.925 pontos

Vera Batista
postado em 06/11/2020 19:40 / atualizado em 06/11/2020 19:41
 (crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
(crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O humor dos investidores melhorou um pouco, nesta sexta-feira (6/11), com os claros sinais de que o candidato democrata às eleições presidenciais dos Estados Unidos, Joe Biden, poderá sair vencedor nesse pleito histórico disputado voto a voto. Com isso, o dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,364, para compra, e R$ 5,365, para venda, com queda de 2,90%. Na semana, a baixa acumulada ultrapassa os 6% e, no ano, a desvalorização frente ao real é de 34%. A bolsa de valores brasileira (B3) andou de lado, com leve alteração positiva de 0,17%, aos 100.925 pontos.

“Não chega a ser um otimismo, porque não há certezas. Mas a perspectiva de que a chegada de Biden reduza o risco global, sem conflitos com outras economias, deu um certo ânimo aos investidores”, informou Alex Agostini, economista-chefe da classificadora de risco Austin Rating. O democrata americano, destacou, igualmente traz alento ao Brasil, apesar das declarações não muito favoráveis do presidente Jair Bolsonaro. “Ele pode falar o que quiser. Mas as relações bilaterais dependem de indústria, comércio e agropecuária. Esses setores vão pressionar para uma negociação que os contemple. O mercado tem a sua complexidade e é bom para todos nós não termos que escolher entre os dois principais parceiros, EUA e China”, disse.

"Ressaca"

Para Cesar Bergo, diretor da Corretora OpenInvest, na verdade, “a sexta-feira foi um dia de ressaca, com os investidores dispostos a realizar lucro, seguindo a tendência das bolsas europeias”. Prova desse movimento foi o comportamento das bolsas americanas. O Índice Dow Jones, das principais ações dos EUA, fechou o pregão com queda de 0,24% e a tecnológica Nadaq, com oscilação positiva de 0,04%. “Os resultados não foram melhores pela expectativa de judicialização e recontagem dos votos já anunciadas pelo presidente Donald Trump; e também pelas evidencias, até o momento, de que Biden não terá vida fácil, com minoria na Câmara e no Senado”, lembrou.

Mercado interno

No mercado interno, os olhos se voltam para as reformas estruturais. Os discursos do ministro da Economia, Paulo Guedes, e do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), mesmo que tenham um certo ar divergente, destaca Cesar Bergo, deram uma sinalização ao mercado. “O que os analistas querem, simplesmente, é uma indicação do que vem por aí. E ficou claro que as reformas, pelo menos, não vão sair da agenda”.

As bolsas europeias, após os fortes lucros dos últimos dias, fecharam em queda. A de Frankfurt cedeu 0,07%, Paris recuou 0,46%, Milão caiu 0,25% e Lisboa se retraiu em 1,57%. Somente a Bolsa de Londres contrariou o movimento e encerrou o dia no azul (0,07%).

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