Conjuntura

Alta do IGP-M impacta no aluguel e obriga a negociação

Índice calculado pela Fundação Getulio Vargas acumula alta de 18,1% neste ano. Mas, é sempre possível chegar a um acordo entre quem aluga o imóvel e o proprietário. Ideia é fazer com que os dois lados saiam ganhando

Edis Henrique Peres* Jailson R. Sena*
postado em 10/11/2020 17:01
Pandemia reduziu a renda de inquilinos e proprietários. Diálogo e compreensão mútua da situação ajuda a fechar a negociação -  (crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)
Pandemia reduziu a renda de inquilinos e proprietários. Diálogo e compreensão mútua da situação ajuda a fechar a negociação - (crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O Índice Geral de Preços — Mercado (IGP-M), referência no reajuste dos contratos de aluguel do país e calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acumula uma alta de 18,10% em 2020 e 20,93% nos últimos 12 meses. Com isso, a tendência é de que os aluguéis aumentem, o que vai pesar no bolso dos inquilinos.

A situação se agrava nas famílias que foram afetadas pelo desemprego causado pelo novo coronavírus. A moradora Priscila Mercês Silva, 22 anos, do Recanto das Emas, conta que, neste ano, já sofreu com o reajuste e por isso teve que se mudar. “O aluguel de onde eu morava passou de R$ 600 para R$ 750, isso no mês de agosto. Agora encontrei uma quitinete por um valor bem mais acessível, e que, inclusive, o dono fez desconto pela questão da pandemia”, disse.

Mas ela acredita que haverá reajuste no começo de 2021. “Passo por esse medo porque aluguel é algo inesperado. Quando moramos de aluguel, esperamos de tudo. Nunca sabemos o que pode acontecer. A única coisa que faço é tentar deixar um dinheiro na reserva para uma emergência ou aumento inesperado”.

O advogado Hugo Cysneiros explica que a composição do IGP-M conta com forte protagonismo dos preços do atacado (influenciado pelas commodities), que estão expostos à variação do dólar. Ele observa que a grande dificuldade entre inquilinos e locadores são as cláusulas contratuais e variações de renda.

“Há um contrato cujo critério de reajuste se descolou do mundo real e, assim, cria-se uma falsa expectativa por parte do locador. Já o locatário certamente não viu sua renda variar positivamente nos últimos 12 meses em uma proporção tão elevada. A saída é a negociação. O estoque de imóveis ociosos é imenso e os locadores sabem disso” orienta.

Wendell Cruz, proprietário de um escritório imobiliário, conta que, este ano, a maioria dos aluguéis negociados pela sua empresa não tiveram reajustes. “Conversei com os proprietários e chegamos ao consenso de não aumentar. Intermediei as duas partes: os inquilinos e donos de imóveis. Expliquei a diminuição de renda dos moradores e a maioria dos proprietários foram compreensíveis, porque eles mesmos tinham vivenciado uma diminuição em sua própria renda”.

O advogado especialista em Direito Imobiliário Alberto Mattos de Souza explica que "é preciso buscar tolerância e equilíbrio". "Manter um bom relacionamento com o proprietário, ser um bom pagador e um inquilino que cuida do imóvel pode ajudar na hora de negociar ajustes mais brandos”, ensina.

*Estagiários sob a supervisão de Fabio Grecchi

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