Conjuntura

Brasil continua sendo 9º país mais desigual do mundo, diz IBGE

Com bases nos parâmetros do Bird, em 2019 a extrema pobreza se agravou em relação a 2012. E, nos últimos sete anos, as pessoas na miséria passaram de 6,5% da população para 13,5%, segundo a Síntese de Indicadores Sociais

Vera Batista
postado em 12/11/2020 14:04 / atualizado em 12/11/2020 14:05
Entre as chefes de família responsáveis pela criação dos filhos menores de 14 anos estava o maior índice de pobreza, segundo o IBGE -  (crédito: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press)
Entre as chefes de família responsáveis pela criação dos filhos menores de 14 anos estava o maior índice de pobreza, segundo o IBGE - (crédito: Vinicius Cardoso/Esp. CB/D.A Press)

O Brasil continua sendo o nono país mais desigual do mundo, quando se trata de distribuição de renda dos cidadãos, e ao longo do tempo a situação vem piorando. É o que aponta a Síntese de Indicadores Sociais, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e com base nos parâmetros do Banco Mundial (Bird). Em 2019, a extrema pobreza se agravou em relação a 2012: nos últimos sete anos, a quantidade de pessoas que estão na miséria passou de 6,5% da população para 13,5%. Isso significa que o total dos extremamente pobres eram 13,6 milhões de pessoas. Os pretos e pardos, principalmente as mulheres, são os mais afetados.

A análise dos dados é mais dramática quando se leva em conta que, para o IBGE, é considerado em situação de extrema pobreza quem recebe menos de US$ 1,90 por dia, o que equivalia a aproximadamente R$ 151 por mês em 2019. As mulheres pretas ou pardas se destacaram entre os pobres.

Embora o contingente de pessoas abaixo da linha da pobreza tenha se reduzido entre 2018 e 2019, o país ainda convivia com mais de 51,7 milhões nesta condição. Ou seja: um em cada quatro brasileiros viveu com menos de R$ 436 por mês, em 2019.

De acordo com o IBGE, eram 28,7% da população, 39,8% dos extremamente pobres e 38,1% dos pobres. Entre as chefes de família responsáveis pela criação dos filhos menores de 14 anos estava o maior índice de pobreza: 24% dos moradores desses arranjos familiares tinham rendimento domiciliar individual inferior a US$ 1,90, e 62,4% inferior a US$ 5,50. Entre as crianças com até 14 anos, 11,3% eram extremamente pobres e 41,7% pobres.

Oportunidades

O estudo do IBGE revelou que 56,8% das pessoas abaixo da linha da extrema pobreza viviam no Nordeste (27,2% da população total do país). Entre os estados, a pior condição foi encontrada no Maranhão, onde um em cada cinco moradores vivia em condição de miséria financeira em 2019. A região Sudeste, a mais populosa do país, sustentava a marca de ter o maior contingente de extremamente pobres, mas respondia por apenas 15,2% desse grupo. São vários os fatores que empurram as pessoas para a miséria – dentre os quais a baixa escolaridade, pouca ou nenhuma oportunidade de emprego e ausência quase total de renda.

Pelos dados do IBGE, apenas 13,8% das pessoas consideradas extremamente pobres estavam ocupadas no mercado de trabalho em 2019. A dificuldade em conseguir uma colocação remunerada, aponta o órgão, pode explicar a estabilidade dessa população, entre 2018 e 2019.

Brancos e jovens

Além disso, os grupos menos privilegiados têm pouco ou nenhum acesso à escola. De acordo com o levantamento do IBGE, um jovem branco tem duas vezes mais chance de frequentar ou já ter concluído o ensino superior.

Em 2019, na faixa de 18 a 24 anos, um jovem branco tinha aproximadamente duas vezes mais chance de frequentar ou já ter concluído o ensino superior que um preto ou pardo: 35,7% contra 18,9%. Já um jovem morador de um domicílio urbano tinha cerca de três vezes mais chance estar frequentando ou já ter concluído o ensino superior, que um jovem morador de um domicílio rural – 28,1% contra 9,2%.

Apenas 7,6% dos jovens na extrema pobreza já haviam completado o nível superior em 2019. Uma proporção oito vezes inferior a verificada entre os jovens do quinto populacional de maior renda (61,5%).

 

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