Governo

Guedes: plano A é acabar com o auxílio emergencial em 31 de dezembro

Depois de admitir que o benefício pode ser renovado em caso de uma segunda onda da covid-19, o ministro disse que, hoje, este não é o cenário trabalhado pelo governo. "Tudo o mais são hipóteses de probabilidade menor", garantiu

Marina Barbosa
postado em 13/11/2020 13:55
Guedes: se não for possível encaixar o Renda Brasil ou Renda Cidadã dentro do teto, país vai voltar ao Bolsa Família.  -  (crédito: Sergio Lima/AFP - 13/3/19)
Guedes: se não for possível encaixar o Renda Brasil ou Renda Cidadã dentro do teto, país vai voltar ao Bolsa Família. - (crédito: Sergio Lima/AFP - 13/3/19)

Após causar desconforto no mercado ao dizer que o auxílio emergencial será renovado caso o Brasil sofra com uma segunda onda de covid-19, o ministro da Economia, Paulo Guedes, começou esta sexta-feira (13/11) garantindo que o controle dos gastos públicos continua sendo a prioridade. Ele disse que "o plano A" é acabar com o auxílio emergencial em 31 de dezembro e voltar ao Bolsa Família em 2021, pois o governo só vai criar um novo programa social se conseguir encaixá-lo dentro do teto de gastos.

"Hoje, o plano A é: chegamos ao fim do ano, fazemos o fading out (desaparecimento, na tradução do inglês) do auxílio emergencial. Ele entrou em R$ 600, passou, meses depois, agora em R$ 300, e agora aterrissa novamente no Bolsa Família. [...] Fizemos o nosso programa de auxílio emergencial, e esse programa termina em 31 dezembro, ponto. E voltamos para o Bolsa Família", destacou Guedes, ao palestrar durante o Encontro Nacional do Comércio Exterior (Enaex). Ele frisou ainda que "este é o nosso plano A, tudo o mais são hipóteses de probabilidade menor".

O ministro argumentou que o auxílio é uma "ajuda transitória", criada para o enfrentamento da pandemia de covid-19. E indicou que, apesar de os casos e as mortes pelo novo coronavírus estarem voltando a ganhar força em alguns locais do país, hoje o governo brasileiro não trabalha com o risco de uma segunda onda de contaminações, o que poderia justificar mais uma prorrogação do benefício, como o próprio Guedes admitiu na última quinta-feira (12/11).

"Do lado da pandemia, o Brasil está conseguindo combater a doença e a vacina está chegando. É um fato que está acontecendo do lado da saúde. E, do outro lado, o da economia, é um fato que o Brasil está saindo da recessão", garantiu. "Nossa hipótese de trabalho é essa: o Brasil voltou, a economia voltou, está retomando o crescimento, e o Congresso vai apoiar e acelerar as reformas. Vamos transformar, no ano que vem, uma recuperação cíclica baseada em consumo em uma retomada do crescimento sustentável baseada em investimento", reforçou.

Dentro do teto de gastos

Ele ainda assegurou que, sem pandemia, qualquer programa social vai precisar caber dentro do teto de gastos. Por isso, avisou que, caso não seja possível encaixar o Renda Brasil ou Renda Cidadã dentro disso, o Brasil vai voltar ao Bolsa Família. E garantiu que o presidente Jair Bolsonaro, que era o grande fiador do plano de criar um substituto para o Bolsa, já aprovou esse plano.

"Se conseguirmos criar um produto melhor, dentro da responsabilidade fiscal, corretamente financiado, criaremos. Se não, o presidente já deu a última palavra. Enquanto essa discussão não estiver estabelecida, e ela não está, vamos voltar para o Bolsa Família e acabou", avisou.

Guedes argumentou que é preciso retomar a disciplina fiscal, já que a a dívida pública do país vai chegar perto dos 100% do PIB neste ano. Para a equipe econômica, esta é a fórmula para atrair investimentos privados, retomar o crescimento sustentável e, com isso, baixar o dólar, que tem pressionado a inflação. "Não vamos fazer aventura, gastar o que não pudermos. Ou tem sustentação fiscal ou não interessa", assegurou Guedes.

Sem aumento de imposto

O ministro voltou a dizer que o Brasil precisa cortar despesas para derrubar o piso dos gastos públicos e abrir espaço no Orçamento. Guedes defende a desindexação, a desobrigação e a desvinculação do Orçamento nesse sentido. E garantiu que o governo não vai aumentar impostos para isso, apesar de defender a criação da CPMF como uma forma de desonerar a folha de pagamentos.

"Nos preocupa muito o escapismo de tentar furar o teto para, depois, aumentar imposto. Não queremos isso. Queremos que o teto nos constranja e nos obrigue a fazer a transformação da grande política brasileira, a ter responsabilidade fiscal", salientou, tecendo críticas aos economistas de "bom pedigree" que defendem a derrubada do teto de gastos e aos "governos bêbados que tomaram crédito direto" para bancar o aumento dos gastos públicos.

 

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