Aviação civil

Empresas aéreas esperam por forte reação do mercado em 2021

Companhias dizem que passageiro de turismo voltou aos aviões e estimam que rotas domésticas possam atingir 100% do movimento pré-pandemia ainda no primeiro trimestre do ano que vem

Simone Kafruni
postado em 24/11/2020 20:05 / atualizado em 24/11/2020 20:07
 (crédito: Reprodução)
(crédito: Reprodução)

Em evento que reuniu agentes do setor de aviação civil, os presidentes das principais companhias aéreas que operam no Brasil mostraram otimismo com relação à recuperação do mercado doméstico. Para os CEOs, o passageiro de turismo voltou aos aviões e o movimento deve atingir 100% do período pré-pandemia ainda no primeiro trimestre de 2021. O grande desafio, segundo os dirigentes, será promover redução de custos para garantir eficiência ao setor e atratividade das passagens aos consumidores.

O presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, mediou um painel do evento virtual AirConnected Digital Xperience, com as presenças do diretor executivo da Latin American & Caribbean Air Transport Association (Alta), José Ricardo Botelho, e do diretor para o Brasil da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), Dany Oliveira, no qual passou vídeos com os recados dos executivos das companhias associadas.

O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, ressaltou que o momento é muito desafiador, mas os indicadores apontam para uma retomada consistente em 2021. “No segmento corporativo, a retomada está mais branda. Nos próximos meses, com retorno físico às empresas, o movimento deve melhorar. Os clientes não estão viajando só por necessidade, tem passageiro de lazer, porque as pessoas se sentem protegidas pelos protocolos adotados”, disse.

O presidente da Azul, John Rodgerson, assinalou que há muito o que reconstruir. “Perdemos muito dinheiro e muitos clientes. 2021 tem que ser muito bom. Tenho esperança de uma retomada muito forte, com recuperação em V para chegar ao pré-covid. Convidamos todos a voltarem a voar”. afirmou.

Jerome Cadier, presidente da Latam Brasil, afirmou que o setor não pode depender necessariamente de uma vacina. “Isso pode demorar. Para que a retomada continue como estamos vendo no fim de 2020, tem que ser contínua e gradual. Para isso, precisamos fazer convencimento de que voar é seguro”, defendeu. “Nós dependemos de viagens internacionais e ainda esperamos pela abertura de fronteiras”, disse.

Cadier lembrou que a Latam, em recuperação judicial nos Estados Unidos (capítulo 11) espera contar com a retomada em 2021 para sair do capítulo 11 e voltar a ter operações com antes, com investimento para melhorias aos clientes. “2021 vai ser um ano de recuperação.”

Eduardo Busch, diretor-executivo da Voepass, disse que já há uma retomada forte do turismo. “Estamos fazendo a adequação da malha para atender o passageiro de lazer. Vendo melhores horários e destinos servidos diretamente por nossas operações e por acordos de codeshare com Latam e Gol”, explicou. “Nossa expectativa é chegar entre 70% e 80% da produção pré-covid em dezembro e retomar 100% em março do ano que vem. Esse é o nosso desenho. Queremos que aconteça.”

Aceleração

Dany Oliveira, da Iata, comentou que, em 2019, o setor estimava um crescimento de 5% global antes de ser atingido pela pandemia. “Fizemos um trabalho muito intenso no primeiro semestre para o ecossistema sobreviver a essa realidade que a covid nos impõe. E nos faz refletir como será 2021”, destacou. Segundo ele, o tráfego aéreo doméstico, em outubro ante abril, teve um crescimento de mais de 9 vezes, enquanto o do internacional do de 4,5. “O mercado nacional está duas vezes mais acelerado”, considerou.

José Ricardo Botelho, da Alta, lembrou que chegou à direção da entidade no pior momento da história da aviação. “Em termos globais, retrocedemos a 2003, mas na região voltou a 1960. Por isso, essa retomada vai ser lenta e gradual”, projetou. “Do ponto de vista de crise, em muitos anos, jamais tinha visto o poder público e a iniciativa privada trabalhando juntos para encontrar soluções”, afirmou.

O presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, alertou que a única agenda que seguiu em aberto foi o conjunto de temas de caráter econômico, destacadamente os empréstimos prometidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “A Abear entende que temos três grandes desafios: regulação, para alinhar o brasileiro ao modelo internacional; custo, já o QAV (querosene de aviação) é um terço do nosso preço ante 22% do internacional; e de infraestrutura, sendo que a aeroportuária melhorou fantasticamente, mas temos as próximas fases de leilões”, enumerou.

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