TRABALHO

Pedidos semanais por auxílio-desemprego aumentam nos EUA

Número de pedidos por auxílio-desemprego nos Estados Unidos é maior do que o esperado. Economia tem ritmo de retomada com expectativa sobre vacinas, mas piora da pandemia desestabiliza as apostas

Bruna Pauxis*
postado em 25/11/2020 16:51 / atualizado em 25/11/2020 19:06
 (crédito: Marcelo Casal/Agencia Brasil)
(crédito: Marcelo Casal/Agencia Brasil)

De acordo com dados do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego cresceram na semana encerrada no dia 21 deste mês. Cerca de 778 mil pessoas requisitaram o seguro. A segunda onda de covid-19 é evidente em diversos países e com ela vem a necessidade de tornar mais rígidas — novamente — as medidas de proteção e quarentena que, consequentemente, tendem a desacelerar o comércio.

Davi Lelis, sócio da Valor Investimento, explica que há dois tipos de auxílio-desemprego nos EUA. Um deles é o initial jobless claims (pedido de desemprego inicial, em português), que é para as pessoas que pedem o recurso pela primeira vez. O outro é o jobless claims (pedido de desemprego), para os indivíduos que já estavam desempregados e solicitam subsídio. Lelis conta que, com o aumento de casos do novo coronavírus, o comércio fica mais restrito e acabam ocorrendo demissões.

O aumento do desemprego pode influenciar também o ânimo dos investidores. “Como o número de casos tende a aumentar nas próximas semanas, os players de mercado, investidores, podem, sim, ficar receosos”, diz Lelis. “Os analistas de Wall Street esperavam o número de 730 mil e veio muito maior — 778 mil —, e isso causou um certo medo”, completa Davi. “Por mais que a economia dos EUA ainda esteja crescendo, isso afeta, sim, o mercado, as ações e a capacidade de gastar do americano”.

Expectativa das vacinas

Em contrapartida, há uma relação entre o otimismo sobre a chegada das vacinas e o movimento positivo das Bolsas ao redor do mundo. Nessa segunda feira (23), as Bolsas asiáticas fecharam em alta. Na de Seul, o índice Kospi teve salto de 1,92%. O destaque é para ações farmacêuticas, por parcerias com o governo local para conter o avanço da covid-19.

Na china, a bolsa de Xangai subiu para os 3.414.49 pontos, o que representa um aumento de 1,92%. Já a de Hong Kong fechou com 26.486,20 pontos. A Bolsa de Sydney avançou para 6.561,60 pontos — aumento de 0,34% —; e a de Wellington avançou 0,48% e marcou 12.501,74 pontos.

O economista chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti, explica que o mercado passa por um bom período. “Alguns fatores demonstram positividade para o mercado, como o cenário presidencial nos EUA, a autorização para fazer a transição de governo e a provável nomeação de Janet Yellen para secretaria do Tesouro americano, que tem um viés mais expansionista”, afirma Gustavo.

Bertotti ressalta que a terça (24) foi um dia muito positivo, com o crescimento de todas as Bolsas, e que esta quarta é um dia mais “ameno”. O economista explica que, ao mesmo tempo em que os estoques de petróleo registraram queda nos EUA — o que mostra retomada econômica —, os dados sobre o desemprego no país desanimam. “Temos um cenário de incerteza ainda. Temos euforia para as vacinas, mas cautela e incerteza relacionada ao crescimento de casos”, finaliza Gustavo.

Estagiária sob a supervisão de Andreia Castro

 

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