Sistema financeiro

Juros bancários sobem em outubro mesmo com Selic e inadimplência estáveis

No rotativo do cartão, taxa vai a 317,5% ao ano, alta de 7,8 pontos percentuais ante setembro. No crédito livre, os juros subiram de 25,8% em setembro para 26,5% ao ano, diz Banco Central

Simone Kafruni
postado em 27/11/2020 16:03
 (crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
(crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Mesmo em um cenário da taxa básica Selic estável em 2% ao ano e com índices de inadimplência sem alteração, os juros bancários tiveram alta em outubro. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC), nesta sexta-feira (27/11), a taxa média de juros das operações contratadas em outubro alcançou 18,7% ao ano, aumento de 0,6 ponto percentual no mês.

No crédito livre, os juros subiram de 25,8% em setembro para 26,5% ao ano em outubro. Para as famílias, ocorreu elevação de 0,9 ponto em outubro, para 38,9% ao ano. O rotativo do cartão de crédito teve alta de 7,8 pontos percentuais, passando de 309,7% para 317,5% ao ano. No cheque especial, no entanto, houve queda de 1,1 ponto percentual, de 114% em setembro para 112,9% ao ano em outubro. 

De acordo com Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, quando se considera toda a carteira de crédito, ainda há redução de 0,1 ponto percentual na taxa de juros. “Nas concessões totais, a taxa média ficou em 18,7%, aumento de 0,6 ponto percentual. Na prática, voltou ao nível que estava em agosto. Depois, caiu para 18,1% em setembro e agora, em outubro, retomou o patamar”, disse.

Flutuação

“Na minha interpretação, depois de um longo período de queda das taxas, atingindo mínimos, tivemos aumento em outubro. Isso pode ser entendido como flutuação de taxas dentro deste mês. Movimento só permite informar um aumento pontual. Não há elementos para se dizer que a tendência são novos aumentos ou para retorno ao nível de setembro”, avaliou. “Temos uma inadimplência estável e Selic estável. Se espera, na política monetária, que a trajetória da taxa de juros básica se transmita às demais taxas”, explicou.

No entanto, mesmo com Selic estável, os juros dos bancos aumentaram. “No crédito direcionado, a TLP flutua com a inflação. Houve aumento recente da inflação. Por isso, não deve ser tendência, mas, sim, uma flutuação que deve retornar”, justificou Rocha. “No caso das operações consignadas, pode haver impacto de os beneficiário do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) terem ido atrás de mais crédito, com a elevação do limite, e isso pode ser entendido como piora do perfil de tomadores”, acrescentou.

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