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Bolsa tem valorização de 17,7% no mês e dólar fecha em R$ 5,33

O Ibovespa fechou a semana com 110.575 pontos, quase no patamar de antes da pandemia. Otimismo com vacinas e maior fluxo de capital estrangeiro explicam bom desempenho

Simone Kafruni
postado em 27/11/2020 20:29
 (crédito: Miguel Schincariol/AFP)
(crédito: Miguel Schincariol/AFP)

A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) teve o melhor desempenho para o mês desde novembro de 1999. Fechou com valorização de 17,7% e rompeu os 110 mil pontos, quase os 120 mil que tinha em março, antes da pandemia. Na semana, a alta é de 4,3%. Nesta sexta-feira (27/11), o principal índice de lucratividade da B3, o Ibovespa, subiu 0,32% aos 110.575 pontos. O dólar teve leve queda, de 0,09%, virando no fim do pregão, e fechou cotado em R$ 5,33. O otimismo com as vacinas e a definição na transição da Presidência dos Estados Unidos, aliados ao maior fluxo de capital estrangeiro, explicam a euforia do mercado.

Conforme o assessor da Valor Investimentos, Davi Lelis, a alta do petróleo influenciou na alta. “Há mais consumo de combustíveis, mais carros nas ruas”, explicou. Na Europa, os índices de ações tiveram boa alta, com a sinalização que o Banco Central Europeu (BCE) vai injetar mais liquidez no mercado. “Mas o que embasou mesmo o mercado foram as vacinas”, resumiu. A moeda norte-americana teve leve queda no final do pregão. “Na semana, caiu 1% e, em novembro, recuou 7%, maior queda mensal. No entanto, em 2020, ainda acumula alta de 32%”, disse o especialista.

O economista-chefe da Quantitas Asset, Ivo Chermont, ressaltou que o dinheiro dos investidores estrangeiros começou a entrar. “A incerteza da eleição nos EUA saiu da frente e o mercado começou a prestar mais atenção nas vacinas do que nos casos de covid, que estão aumentando. Além disso, há uma interpretação, no mercado doméstico, de que o governo entendeu que não dá para furar o teto e que é preciso retomar os esforços para as reformas, nem que sejam medidas pontuais, como a lei de falência. Tudo isso explica a diluição do Risco Brasil”, afirmou.

Transição

Gustavo Bertotti, economista-chefe da Messem Investimentos, compartilha da mesma opinião. “Três fatores justificam o comportamento do mercado na semana. O principal é a eficácia das vacinas. Isso embalou o início da semana e trouxe tranquilidade, porque o vírus ainda está pesado em termos de contaminação”, disse. “Outro fator para os mercados globais é a transição no governo norte-americano. Não só a presidência de Joe Biden como a nomeação dos cargos. O principal nome para a secretaria do Tesouro é de Janet Allen, uma expansionista”, pontuou. Segundo ele, o aumento no seguro-desemprego nos EUA mostra que o mercado necessita de incentivos fiscais.

Para Pedro Galdi, analista de Investimento da Mirae Asset, a definição nos EUA e as vacinas têm peso importante no desempenho da bolsa brasileiro. “Mas o que puxou mesmo foi o fluxo de capital estrangeiro. Entrou muito dinheiro e os investidores correram para papéis de bancos, Vale e Petrobras. Como são ativos com alto peso no Ibovespa, o índice subiu bem. Estamos quase chegando aos 120 mil pontos de março”, avaliou. Porém, Galdi alertou que o dinheiro que entrou é especulativo. “O Brasil está barato e o investidor veio surfar nesta onda, mas pode fugir. Por isso, a importância de retomar a pauta econômica”, acrescentou.

 

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