SUSTENTÁVEL

Guedes diz que "o futuro é verde e digital" ao pedir investimento estrangeiro

Ministro da Economia convida investidores estrangeiros a apostarem no Brasil, mas não dá detalhes sobre medidas do país no desenvolvimento de uma economia mais sustentável

Rosana Hessel
postado em 16/12/2020 15:12 / atualizado em 16/12/2020 15:13
 (crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
(crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Na contramão da agenda ambiental do presidente Jair Bolsonaro e do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o ministro da Economia, Paulo Guedes, reconheceu que a economia global está cada vez mais verde, além de digitalizada, ao convidar investidores estrangeiros a apostarem no Brasil, mas não detalhou medidas do governo para uma economia mais sustentável.

“Sabemos que o futuro é verde e sabemos que o mundo é digital. Estamos abertos para investimentos estrangeiros e estamos recuperando a nossa dinâmica de crescimento interna. E permanecemos como uma das maiores e mais prósperas fronteiras de investimento para a próxima década”, afirmou Guedes, nesta quarta-feira (16/12), em um pronunciamento de pouco mais de 20 minutos gravado para uma conferência do The International Economic Forum of The Americas (IEFA), em Montreal, no Canadá. “Espero que invistam no Brasil”, afirmou.

Após fazer uma introdução sobre a transição dos governos militares para os democráticos na década de 1980, reafirmando que o Brasil fez uma Glasnost, mas não conseguiu concluir a Perestroika, em referência às mudanças na antiga União Soviética, o ministro reafirmou que continua otimista com o processo de retomada da economia brasileira e que a retomada está sendo em uma curva em V e rápida.

O chefe da equipe econômica voltou a afirmar que o país está no caminho para fazer abertura e se tornar uma economia de mercado, além de garantir novamente que o “Brasil, vai surpreender o mundo durante a pandemia” e defendeu a retomada da agenda de reformas e de concessões e privatizações.

Segundo o ministro, o país está retomando a dinâmica de crescimento e criticou a “democracia barulhenta” que não apoia o governo. “Chequem os números. A Bolsa está subindo, temos juros baixos e a recente queda no dólar para perto de R$ 5 mostra que há um reconhecimento da nossa agenda”, disse, em referência ao fato de a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) zerar as perdas do ano.

“Maior banco digital do mundo”

O ministro, entretanto, não citou medidas de proteção ambiental do governo e, como exemplo de digitalização, mencionou apenas a operação de distribuição do auxílio emergencial por meio de conta-poupança digital da Caixa, que registrou 100 milhões de usuários desse serviço, tornando-se o “maior banco digital do mundo”. Segundo ele, o Brasil está se preparando para se tornar uma economia aberta. “Estamos nos preparando para o futuro digital”, garantiu.

Contudo, um relatório do Fórum Econômico Mundial divulgado nesta quarta-feira, curiosamente revela que o Brasil é um dos países pouco preparados para uma transformação econômica nos próximos cinco anos que implique melhora nos serviços públicos, investimentos verdes e digitalização.

Brasil, Grécia e México figuram como os três piores em termos de confiança no governo e índice de corrupção, segundo a pesquisa feita junto a executivos de grandes multinacionais.

 

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