Leilão de transmissão

Disputa acirrada e deságio médio de 55,24% mostram apetite do investidor

Diretor geral da Agência Nacional de Energia Elétrica, André Pepitone comemora o resultado do certame, que teve 51 participantes inscritos e grupos estrangeiros de seis países

Simone Kafruni
postado em 17/12/2020 15:16 / atualizado em 17/12/2020 15:17
O diretor-geral da Aneel, André Pepitone, comemora resultado do leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo -  (crédito: Wilson Dias/Agência Brasil)
O diretor-geral da Aneel, André Pepitone, comemora resultado do leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo - (crédito: Wilson Dias/Agência Brasil)

Com disputas acirradas, 51 participantes inscritos e deságio médio de 55,24%, o leilão de transmissão de 11 lotes, realizado nesta sexta-feira (17/12), na Bolsa de Valores de São Paulo, foi considerado um mega sucesso pelo diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), André Pepitone da Nóbrega. “O leilão foi muito competitivo, com média de 13,5 empresas para cada um dos lances e de 10 empresas ofertantes. O lote com mais inscritos teve 19”, disse.

Segundo ele, grupos estrangeiros de seis países — China, Colômbia, Espanha, Portugal, França e Itália — participaram do certame junto com empresas nacionais. “O resultado confirma o interesse da iniciativa privada e mostra o apetite e confiança dos estrangeiros”, ressaltou.

O grande vencedor, no entanto, foi um grupo brasileiro: a MEZ Energia, que venceu cinco lotes com dois consórcios. São Nicholas I e São Nicholas II são formados pelas subsidiárias Mez Energia e Participações e Mez Energia Fundo de Investimentos em Participações em Infraestrutura. “São Nicholas fará 33% do investimento previsto com os 11 lotes. Vai desembolsar R$ 2,39 bilhões”, comentou Pepitone. A Aneel estima em R$ 7,3 bilhões os aportes totais nas linhas de transmissão e subestações leiloadas nesta quarta.

Kelly Santos, gerente jurídica do Grupo MEZ, explicou que a meta era levar sete dos 11 lotes. “Levamos cinco. O grupo é inteiramente nacional. Iniciou suas atividades no fim do ano passado. Participou do primeiro leilão e arrematou o lote 10 em 2019, além de ter empreendimentos na Bahia e, em fase de implantação, em Goiás e no Rio Grande do Sul”, afirmou. Segundo ela, a companhia também tem um braço na construção civil e experiência na implantação de projetos, e com aquisição de outras transmissoras. “A estratégia do grupo é expandir a área de transmissão de energia”, revelou.

Para financiar os projetos arrematados no leilão desta quarta, Kelly Santos destacou que a empresa pretende usar um leque amplo. “Desde o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), aporte de recursos próprios até debêntures incentivadas”, enumerou. A gerente garantiu que o grupo tem saúde financeira e capacidade técnica. “Temos outros quatro projetos no setor, muito alinhados com as normas regulatórias. O grupo tem gestão eficiente, de projetos e financeira. No longo prazo, vamos ampliar as vertentes para a geração de energia renovável”, disse.

Mais leilões

O diretor da Empresa de Planejamento Energético, Erik Rego, lembrou que parte dos lotes que seriam leiloados hoje foi postergada para 2021 e 2022. “No ano que vem, serão dois leilões em junho e em dezembro. No primeiro, a expectativa é de investimento de R$ 1,5 bilhão”, assinalou. Para dezembro, ainda não está fechado o valor, mas são, no total, R$ 7 bilhões. “Não sabemos quanto ficará para dezembro de 2021 e quanto irá para 2022. Mas, nos próximos três a quatro anos, teremos concessões com investimentos de R$ 30 bilhões”, acrescentou.

 

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