Infraestrutura

Vale renova concessão de duas ferrovias por mais 30 anos a partir de 2027

Contratos da Estrada de Ferro Carajás e Estrada de Ferro Vitória Minas foram antecipados. Os investimentos previstos são de R$ 24,7 bilhões, incluindo as contrapartidas em outras ferrovias

Simone Kafruni
postado em 18/12/2020 15:45
 (crédito: Ricardo Botelho/Aescom MInfra)
(crédito: Ricardo Botelho/Aescom MInfra)

As ferrovias da mineradora Vale terão mais 30 anos de concessão, contando a partir de 2027, quando vencem os atuais contratos. O Ministério da Infraestrutura e os representantes da empresa, da estatal ferroviária Valec e da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) assinaram, nesta sexta-feira (18/12), os termos aditivos de prorrogação antecipada da Estrada de Ferro Carajás (EFC) e da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Estão previstos compromissos de R$ 24,7 bilhões, a serem aplicados já a partir do próximo ano.

Segundo a companhia, do total, R$ 11,8 bilhões referem-se ao pagamento da outorga pelas duas ferrovias; R$ 8,7 bilhões, para a construção da Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico), uma contrapartida exigida no processo de negociação com o governo; e R$ 3,9 bilhões para outros compromissos, entre eles a ampliação do serviço do Trem de Passageiro e obras de melhoraria da segurança da malha. A Vale também se comprometeu a destinar, do valor de outorga, R$ 300 milhões para a compra de trilhos e dormentes destinados à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol).

Fico e Fiol vão se conectar à Ferrovia Norte-Sul, viabilizando a criação de corredores alternativos para o escoamento de grãos do Centro-Oeste brasileiro, que reduzirão custos logísticos e, consequentemente, trarão maior competitividade ao produto do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

As assinaturas ocorreram minutos antes dos leilões de quatro terminais portuários que estão ocorrendo na sede da Bolsa de Valores de São Paulo (B3). O ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, destacou que a cerimônia representa uma vitória. “Foram várias etapas, três anos de muito trabalho para chegar ao dia de hoje. Sem dúvida é o maior passo da nossa história ferroviária, no caminho do desenvolvimento desse modal de transporte no país”, celebrou.

Ousadia

“A ousadia está manifestada na construção da Fico, uma ferrovia greenfield (obra do zero). Quem diria que se poderia construir a partir de uma renovação de outra ferrovia existente? Quantos empregos serão gerados com os R$ 20 bi de investimentos? Quanto o agro vai ganhar em eficiência?”, indagou, de forma retórica. Segundo Freitas, o país começa a ter, novamente, uma malha ferroviária. “Não só ferrovias dedicadas. Mas ferrovias que vão transportar de tudo. Vamos transportar sonhos e divisas”, disse.

Luiz Eduardo Osorio, diretor-executivo de Relações Institucionais da Vale, agradeceu em nome do time da companhia. “Foram mais de 100 profissionais envolvidos em mais de quatro anos do processo de antecipação da renovação das duas ferrovias. Contando as outorgas, vamos investir R$ 24,7 bilhões. A construção da Fico vai permitir o escoamento da produção dos grãos do Centro-Oeste do país. Vamos contribuir com a obra da Fiol”, lembrou. Segundo ele, as duas ferrovias da Vale já são de classe mundial. “Vamos aumentar a segurança das duas e gerar desenvolvimento em 58 municípios ao longo das ferrovias”, acrescentou.

 

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