Emprego

Brasil cria 414,5 mil vagas de trabalho formal em novembro

O resultado é o melhor da série histórica do Caged e fez com que o Brasil passasse a registrar saldo positivo de vagas no acumulado do ano

Apesar de o desemprego continuar em alta, o Brasil criou 414.556 postos de trabalho formal em novembro deste ano. É o melhor resultado mensal de toda a série histórica do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), segundo dados apresentados nesta quarta-feira (23/12) pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia.

"É o maior Caged da história", comemorou o ministro da Economia, Paulo Guedes, que participou da apresentação dos dados do Caged. Para ele, o resultado do Caged mostra que a economia brasileira está "se recuperando em V".

O saldo positivo do Caged de novembro é fruto de 1.532.189 admissões e 1.117.633 desligamentos e foi sentido por todos os estados brasileiros. Em relação aos setores econômicos, o destaque é do setor de serviços, que, apesar de estar se recuperando mais lentamente da crise do novo coronavírus, puxou a criação de vagas formas de trabalho.

Segundo o governo, o setor de serviços criou 179.261 novas vagas no mês passado. Já o comércio gerou 179.077 pos de trabalho formais; a indústria, 51.457; e a construção, 20.724. Por outro lado, a agricultura, que sustentou a economia brasileira no auge da pandemia, fechou 15.353 vagas - resultado classificado como sazonal pela Economia.

"Quando observamos serviços e comércio sendo destaques na geração de empregos, que foram exatamente os setores mais atingidos pela pandemia, significa que realmente estamos em retomada em V", comentou Guedes.

Acumulado do ano positivo

Este é o quinto mês consecutivo em que o mercado de trabalho brasileiro apresenta geração líquida de postos de trabalho de carteira assinada. Por conta disso, o Brasil passou a apresentar um saldo positivo de vagas no acumulado do ano, revertendo os prejuízos registrados no início da pandemia de covid-19, quando
mais de 940 mil vagas chegaram a ser fechadas em apenas um mês.

De acordo com o Caged, no acumulado de janeiro a novembro, já se verifica a criação de 227.025 postos de trabalho formais. O resultado é fruto de 13.840.653 admissões e 13.613.628 desligamentos. "É a primeira vez desde o início da pandemia, que o saldo acumulado do ano é positivo", destacou o Ministério da Economia.

A pasta avaliou que este resultado revela o crescimento gradual emprego formal no país, após o baque registrado no início da pandemia de covid-19, mas também as contratações temporárias típicas do final do ano. E o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, mostrou confiança de manter esse resultado positivo no fechamento do ano.

Ele admitiu, no entanto, que o mês de dezembro costuma ser um mês negativo no mercado formal, por conta do encerramento dos contratos temporários de fim de ano. Bianco alegou que este tem sido um ano atípico, que pode reverter essa tendência. Dados apresentados pela pasta também mostraram que os contratos temporários respondem por 9% do saldo de empregos formais de novembro. Isto significa que, das 414,5 mil vagas de trabalho criadas no mês passado, 37.104 eram temporárias.

O Ministério da Economia também destacou que o estoque de empregos formais no país chegou a 39.036.648 diante do resultado de novembro. O saldo está perto do registrado no mesmo período do ano passado: 39.358.772. Por conta disso, o ministro Paulo Guedes, reforçou que o Brasil pode terminar o ano sem perda de vagas formais de trabalho.

Apesar desses resultados positivos, os setores de comércio e serviços, que são os principais empregadores do país, ainda apresentam saldo negativo de vagas no balanço de janeiro a novembro. Seis estados também estão no vermelho, inclusive o Distrito Federal, que perdeu 10.222 vagas de carteira assinada desde o início do ano.

Por isso, o desemprego segue em alta e atinge 14 milhões de brasileiros, conforme dados apresentados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Ministério da Economia vem ressaltando que a metodologia do Caged é diferente da do IBGE, já que o Caged observa apenas o mercado formal de trabalho, enquanto o IBGE avalia todo o mercado de trabalho, inclusive o informal.

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