PREMIAÇÃO

Campos Neto é o "banqueiro central do ano", segundo revista britânica

Presidente do Banco Central brasileiro foi escolhido como o presidente de bancos centrais do ano global e das Américas pela revista The Banker

Rosana Hessel
postado em 03/01/2021 18:44
 (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, foi eleito o banqueiro central do ano pela revista britânica The Banker, uma das mais prestigiadas no mundo financeiro, nas categorias global e das Américas. A última edição da publicação destacou os cinco presidentes de bancos centrais eleitos que estimularam o crescimento e mais ajudaram a contribuir com a estabilidade da economia durante a pandemia.

De acordo com a revista, poucos países foram mais afetados pela covid-19 da mesma forma que o Brasil, que, em meados de dezembro, o número de mortes relacionadas à pandemia ainda era o segundo maior do mundo, depois dos Estados Unidos, mas acabou tendo um desempenho melhor do que o esperado, devido ao trabalho do Banco Central chefiado por Campos Neto.

A publicação destacou que, enquanto no início de 2020 as expectativas eram de que a maior economia da América Latina se contraísse em mais de 9%, os números foram revistos drasticamente no final do ano para cerca de metade disso -- "a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) passou de 9,1% para 5,8%, enquanto alguns analistas acreditam que a contração será inferior a 4,5%".

"Muito desse cenário mais promissor se deve ao trabalho do Banco Central do Brasil. A instituição monetária respondeu à crise tomando medidas sem precedentes e eficazes para garantir que a liquidez não secasse no sistema financeiro e tomou outras medidas específicas para que as empresas, em particular as pequenas empresas, pudessem continuar a operar", informou a matéria.

A revista britânica destacou que o programa de liquidez do banco central brasileiro "representou impressionantes 17,5% do Produto Interno Bruto (PIB)", e foi acoplado por outras medidas que liberaram capital das instituições financeiras e que, segundo o banco, tinham potencial para aumentar o crédito pelo equivalente a até 20% do PIB. A autorização temporária do Congresso para comprar e vender ativos privados para aumentar ainda mais a liquidez do sistema financeiro, que acabou apoiando também o mercado de títulos em moeda local, também foi citada.

O BC espera que o PIB brasileiro cresça 3,5% em 2021, mas a revista aponta uma falta de Campos Neto alertando que o crescimento econômico precisará ser sustentável e considerar aspectos que tradicionalmente não são levados em consideração nos modelos econômicos e monetários. Este será um novo desafio para o banco central, pois será garantir que o sistema financeiro se adapte rapidamente às tendências que se têm acelerado com a crise, como a digitalização dos serviços.

“A sociedade exige que a recuperação seja mais sustentável e inclusiva”, afirmou Campos Neto na matéria. “Ao mesmo tempo, a tecnologia está mudando rapidamente a oferta de serviços financeiros e a característica principal dessa revolução é a capacidade de produzir, armazenar e processar dados", acrescentou.

A The Banker escolheu outros quatro banqueiros centrais para as demais regiões do planeta. Para o título de banqueiro central do ano para Ásia-Pacífico, apontou Chea Chanto, presidente do Banco Nacional do Camboja.

Já o banqueiro central do ano da Europa foi Setefan Ingves, presidente Sveriges Riksbank, o banco central da Suécia. 

O presidente da Autoridade Monetária da Arábia Saudita (Sama, na sigla em inglês), Ahmed Al-Kholifey, foi eleito o banqueiro central do ano do Oriente Médio.

E, por último, o banqueiro central do ano da África foi eleito John Rwangombwa, presiente do Banco Nacional de Ruanda.

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