Telecomunicações

Oi confia que Cade aprovará venda da rede móvel para concorrentes

Diretora de Finanças da empresa em recuperação judicial, Camille Faria diz que o órgão antitruste pode fazer ajustes na segregação entre Claro, Tim e Vivo, mas não deve reprovar operação

Simone Kafruni
postado em 14/01/2021 17:22
Em live, Camille Faria, CFO da Oi, revela que operação de fibra óptica da operadora vai entrar em São Paulo -  (crédito: Reprodução)
Em live, Camille Faria, CFO da Oi, revela que operação de fibra óptica da operadora vai entrar em São Paulo - (crédito: Reprodução)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deve aprovar a venda da rede móvel da Oi para as concorrentes Claro, Tim e Vivo até o fim do ano. A aposta é da diretora de Finanças (CFO) da Oi, Camille Faria. Em live promovida pela Genial Investimentos, nesta quinta-feira (14/1), a executiva da operadora em recuperação judicial ressaltou que confia na aprovação porque as três concorrentes que venceram o leilão da Unidade Produtiva Isolada (UPI) Móvel no ano passado fizeram um “plano de segregação muito cuidadoso para respeitar regras regulatórias e de divisão dos clientes de forma a evitar concentração”.

“Isso não afasta a possibilidade de que o Cade possa pedir algum tipo de ajuste, para não ficar muito concentrado, mas não vislumbrando recusa”, justificou. Camille considerou “normal” mercado o questionamento da Algar Telecom, que, em nota técnica enviada ao Cade esta semana, afirmou que as três companhias agiram em consórcio no leilão da compra da Oi Móvel, criando um centro de decisão econômico com poder de monopólio, pedindo a suspensão do certame da Oi Móvel. “Essas ações são normais. A operação tem muita visibilidade. É um serviço que todo mundo usa. É normal que seja um processo com muitas partes interessantes. Também é saudável que o regulador ouça essas manifestações”, disse.

Camille acredita que a operação de venda da UPI Móvel seja concretizada no fim de 2021. “É um caso de análise complexa. Mas acreditamos que o Cade vai usar o período máximo, que é de 300 dias, para julgar. Por isso, estimamos o fechamento da operação no fim de 2021. Uma surpresa positiva seria o Cade não usar todo o prazo, mas, além do máximo, não há risco”, ponderou.

Alta das ações

A CFO da Oi não pôde comentar a última notícia de que o BTG Pactual, em parceria com o Pension Plan Investment Board (CPPIB), um fundo de pensão canadense, teria interesse de comprar a InfraCo, UPI de infraestrutura da Oi. “Estamos no meio do processo competitivo e mantemos o mercado informado, mas temos compromisso de confidencialidade”, disse. As ações da Oi dispararam 6% após o anúncio da parceria com foco em comprar 51% da InfraCo.

Segundo a executiva, como parte do aditamento do plano de recuperação judicial, a companhia criou uma subsidiária integral de infraestrutura neutra, aberta para uso de outros provedores. “Organizamos um processo competitivo para essa empresa ter outro controlador. Era importante que fosse dissociada da Oi para que as outras companhias pudessem se sentir confortáveis para usar a infraestrutura neutra”, explicou.

Com preço mínimo de R$ 20 bilhões, o ativo recebeu propostas não vinculantes em julho de 2020. “Tivemos mais de 10 interessados na primeira fase. Reduzimos o grupo e vamos receber, até o fim do mês, as propostas vinculantes. Esperamos múltiplas ofertas, mas vamos escolher uma ou duas para negociar com a documentação completa”, ressaltou. Ainda no primeiro trimestre, a Oi deve divulgar o stalking horse (cavalo a ser seguido), uma posição privilegiada do ofertante escolhido, que poderá igualar (pagando 1% a mais) ou melhorar as propostas apresentadas pelos outros concorrentes no leilão. O certame é obrigatório porque a empresa está em recuperação judicial.

Cereja do bolo

Camille revelou que a InfraCo, responsável pela operação de fibra óptica da Oi, vai entrar no mercado de São Paulo, onde a operadora não atuava. Isso deixa o ativo, cujo controle será leiloado, mais atrativo. “Vai ser a cereja do bolo. Temos 150 mil novos clientes por mês de fibra e compromisso de investimento para agregar valor aos acionistas”, afirmou.

A diretora comentou, ainda, que a questão dos bens reversíveis é a única das inúmeras incertezas que a companhia tinha que ainda não foi solucionada. “É o assunto regulatório mais importante para a companhia. Estamos trabalhando para mostrar para a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) o desequilíbrio econômico financeiro e o consumo de caixa que é manter a concessão. Queremos migrar para o regime de autorização. Vai ser melhor para todo mundo. Mas queremos fazer isso em termos justos, que sejam neutros do ponto de vista de fluxo de caixa”, disse.

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