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Futuro do BB em discussão

Programa de reestruturação do Banco do Brasil divide opiniões. Para economista, enxugamento e modernização são necessários para a sobrevivência da instituição. Representante dos funcionários aponta risco de perda de espaço em setores relevantes

Edis Henrique Peres*
postado em 18/01/2021 22:48

A reestruturação do Banco do Brasil é imprescindível, devido ao momento do mercado internacional e do brasileiro. É o que defende o diretor da Corretora OpenInvest, César Bergo. Com a globalização e a chegada das fintechs, se o banco não modernizar relações de estrutura e trabalho, “cairá por terra”. “O Banco do Brasil sempre foi um banco de destaque, e a sua reestruturação é muito importante para torná-lo mais competitivo”, afirmou o analista

Já para Kleytton Moraes, presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília e funcionário do BB, é compreensível o movimento do banco, mas não da forma como o redesenho está proposto. “Esse processo de reestruturação abre espaço para que a concorrência entre em nichos importantes de posicionamento de mercado. O redesenho não leva em conta os impactos sobre o funcionalismo e o papel importante da instituição secular do BB, que é ser um banco público com responsabilidade para com os acionistas e focado na inclusão da sociedade brasileira”, afirmou.

O debate foi realizado ontem no programa CB Poder — uma parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Moraes ressaltou que a reunião do Conselho de Administração que aprovou a reestruturação — que prevê a demissão voluntária de 5 mil empregados e o fechamento de 361 pontos de atendimento — não teve a presença da representante dos funcionários. “O banco está redesenhando sua estratégia sem a participação dos trabalhadores. Isso dificulta o processo e gera efeitos negativos para a instituição”, disse.

Para Moraes, o processo de reestruturação do BB enfraquece a instituição. “O que dizem para o mercado é que se trata do fortalecimento do Banco do Brasil, mas o que vemos é o contrário. Estão entregando fatias consideráveis e rentáveis para outros setores, diminuindo os resultados da instituição”, frisou.

Bergo, por sua vez, enfatizou que o BB deve ser mais enxuto e tecnológico para crescer. “Para ganhar mercado, o banco precisa ter um volume de negócios para suprir a estrutura que possui hoje. E é preciso preparar o BB para angariar esses negócios, esse é o trunfo que ele não pode perder.”

César Bergo também opinou sobre o possível processo de privatização do Banco do Brasil. “Primeiro, é preciso deixar claro o conceito de privatização. No caso do BB, não seria uma privatização, seria transferir o controle, porque o banco já tem participação privada, é de economia mista, diferentemente da Caixa, que é 100% do governo”, pontuou.

Segundo Bergo, é desnecessária a existência de dois bancos oficiais. “Uma solução futura seria uma fusão do BB com a Caixa ou um modelo no qual os dois bancos não sejam concorrentes”, defendeu. Já Kleytton Moraes disse não acreditar em privatização, devido à resistência da sociedade, dos funcionários e de outros agentes que precisam do BB. “Estamos falando do agronegócio, da agricultura familiar, dos industriais. Esses agentes salvaguardam o BB como instituição pública eficiente e eficaz.”

*Estagiário sob a supervisãode Odail Figueiredo


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